quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Londres #1

Novembro foi mês de ir passear a terras de Sua Majestade. Moderna e histórica, marcada pela inovação e elegância, de cultura singular, Londres foi uma bela surpresa. Apesar de conhecida pelo tempo chuvoso e nublado, a verdade é que apanhei Londres com sol. Sim, leram bem: em pleno mês de Novembro, estava sol em Londres. Estive 3 dias em Londres, que foram muito bem-aproveitados e hoje trago-vos a primeira parte do roteiro que fiz.

Cheguei a Londres praticamente a meio da tarde, por isso, o primeiro dia foi resumido a passear pela cidade. Passei pela China Town, o bairro chinês localizado no Soho, uma área central e residencial da cidade. Ao ir caminhando, fui parar ao Palace Theater, que, para quem não sabe, é o teatro onde é exibido Harry Potter and The Cursed Child. O teatro é lindíssimo, ainda para mais tendo o mundo de Harry Potter como cartaz. Para além disso, neste primeiro dia, ainda passei por duas praças famosas de Londres: Piccadilly Circus, famosa pelos seus outdoors, e por Leicester Square, uma das praças mais movimentadas de Londres.







Terminei o primeiro dia no London Eye. Posso afirmar que subir ao London Eye foi das minhas experiências favoritas em Londres. Vale cada centavo, ou, neste caso, cada libra que se paga. Acreditem na palavra de uma forreta que estava muito reticente em comprar bilhete. Fui na chamada golden hour, ou hora do lusco fusco, e acho que escolhi o horário perfeito. Para além de se ter uma vista incrível da cidade (a 360º), tem-se uma vista incrível da cidade com tons do céu simplesmente maravilhosos. Eu adorei o London Eye e recomendo totalmente!








O início do segundo dia em Londres foi passado na zona de Westminster e do Palácio de Sua Majestade. Então, comecei o dia pelo Buckingham Palace, a humilde residência da Rainha Elizabeth. Sinceramente, não achei o palácio muito especial, já vi palácios bem mais bonitos (incluindo, em Portugal) e não acho que compensa todo o alarido à sua volta. Há coisas mais bonitas para se ver, na minha opinião. A monarquia inglesa, ou qualquer outra monarquia, nunca despertou muito o meu interesse e talvez seja esta a razão pela minha falta de entusiasmo em relação ao palácio.



Em frente ao palácio, fica o St. James Park, um parque muito bonito, especialmente com as cores outonais, e deu para ver esquilos, patinhos e pelicanos, que eu nunca tinha visto até este dia. Infelizmente, não consegui tirar nenhuma foto aos esquilos amorosos que passavam por mim, já que eles fugiam sempre :( (pessoas que conseguem aquelas fotos lindas de esquilos a posarem para vocês, contem-me o vosso segredo). Valeu por poder apreciar criaturas tão lindas, e sentir o Outono em toda a sua plenitude.




Agora, três monumentos com o nome Westminster (pequeno aparte: os ingleses não são muito originais a dar nomes às coisas, pois não?). A Westminster Cathedral representa hoje a maior igreja católica da Inglaterra, sede do trono do arcebispo de Westminster, e é lindíssima. Fica um pouco fora de mão, mas vale totalmente a pena.


Depois, temos a Westminster Abbey, situada a poucos metros do Westminster Palace (já lá vamos) e o templo representativo do poder religioso da Igreja Anglicana. É neste edifício gótico que reis e rainhas ingleses são coroados e sepultados há praticamente mil anos e onde também estão sepultados Darwin e Newton. Ah, e foi aqui que Kate e William casaram, em 2011.



Por fim, também conhecido como The Houses of Parliament, o Westminster Palace é o centro político de Londres. É realmente um edifício imponente (no entanto, não tão imponente e belo como o de Budapeste, que é capaz de ser o Parlamento mais incrível que já vi na vida). Ao lado do Parlamento, fica o Victoria Tower Gardens, um jardim muito simples, mas com uma vista para o outro lado do Tamisa. Serviu para descansar as pernas, depois de já longos quilómetros percorridos.





Encostado ao Parlamento Inglês, fica o Big Ben – o símbolo da cidade e a maior desilusão desta viagem para mim. O Big Ben está em obras, o que retirou todo o seu charme. O famoso relógio está em obras desde o início de 2017 e estima-se que os trabalhos de restauro durem até 2021. Por isso, só depois de 2021 é que penso em voltar à cidade londrina.  Ah, e uma pequena curiosidade em relação ao Big Ben. Sabiam que apesar de todos associarmos o nome à torre e ao relógio, a verdade é que "Big Ben" é o apelido do sino que se encontra na torre do Palácio de Westminster? O nome oficial do sino é "Great bell", o do relógio "Great clock" e o da torre em si "Elisabeth Tower". Andamos todos enganados.


sábado, 8 de dezembro de 2018

A primeira vez que... #2

A primeira vez que… fui à universidade. Fui fazer a inscrição para a minha licenciatura. Universidade do Minho. 2015. Entrar naquela universidade pela primeira vez foi como entrar num novo universo. Tudo era novo, tudo era gigante, tudo era desconhecido. Entrei a medo, como quem tem receio de que um monstro salte para a nossa frente. Um novo ciclo na minha vida estava a dar o primeiro passo. Ser licenciada. Três anos depois, vejo que aquela menina que veio de uma cidade pequena, tornou-se ainda mais sonhadora. Foi naquela primeira vez naquela universidade que eu pensei: estás a fazer isto. Apesar de todos os teus receios de não teres média suficiente para entrar, apesar de todos os teus receios de mudar de cidade, e de casa, e de não seres suficientemente capaz de conheceres outras pessoas. Apesar de tudo, estás a fazer isto.



quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Leituras Desassossegadas #28

Nostromo, Joseph Conrad

«Nostromo (1904) é um romance grandioso. Situa-se em Costaguana, um local imaginário situado na costa ocidental da América Latina. Simbólico e realista, todo o romance é dominado pela prata da mina de San Tomé e pelas suas consequências nas vidas de um conjunto de personagens. Este tesouro atrai homens gananciosos que impõem ao país uma sucessão de tiranias, e põe à prova e acaba por corromper homens venerados pelos seus elevados princípios morais. Apesar de já ter mais de 100 anos, esta obra revela tanto da América Latina contemporânea como qualquer um dos apurados relatos da turbulenta vida política daquela região. Com uma impressionante narrativa, espectacular na recriação da paisagem subtropical, Nostromo retrata uma sociedade em rebelião, e as oportunidades que as convulsões políticas e sociais oferecem à corrupção reflectem-se em cada página.»

Um livro grande, de 523 páginas, e com uma sinopse que me interessou logo que a li. No entanto, não foi uma boa experiência. Demorei 1 mês a ler este livro, algo que já não me acontecia há imenso tempo (normalmente, leio um livro em uma/duas semanas). Não me senti conectada pela história ou pela escrita ou pelos personagens. Não senti nada a ler este livro.

No Goodreads (podem-me adicionar aqui, já agora), todas as pessoas parecem achar Nostromo uma obra-prima. Se calhar, sou eu que não entendo nada disto. Mas o livro não me conseguiu prender a atenção e ainda nem ia a meio e já estava a desesperar pelo final. Como sou daquele tipo de leitores persistentes, continuei a leitura, sempre à espera que, em algum ponto, a história ficasse melhor. Mais interessante. Não ficou. Mas, como disse, posso ser só eu. Aconselho sempre a darem uma oportunidade a um livro, qualquer que seja o livro, mesmo que seja um que eu não tenha gostado. Todos os livros merecem uma oportunidade, mais que não sejam para tirarem as vossas próprias conclusões.

"Um homem atormentado por uma ideia fixa é um louco. Torna-se perigoso, mesmo quando essa ideia é uma ideia de justiça; pois não será ele capaz de fazer desabar o céu impiedosamente sobre a cabeça de quem ama?"



sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Movie36 - Novembro

V for Vendetta – "Na sequência da vitória da Alemanha nazi na Segunda Guerra Mundial, o Reino Unido tornou-se um Estado fascista totalitário. Um lutador pela liberdade, que actua mascarado e lidera acções de terrorismo urbano contra o estado britânico. Ao salvar uma rapariga das mãos da polícia política, ele vai descobrir uma poderosa aliada na sua luta pela liberdade..."
Dia 5 de Novembro é dia religioso para ver o V for Vendetta, e este ano não foi excepção. É dos meus filmes favoritos de toda a vida, levanta questões que eu considero bastante importantes nos dias de hoje e é um filme que eu aconselho totalmente.

Remember, remember the 5th of November

The Green Mile
– "Milagres acontecem nos mais inesperados locais, até mesmo no corredor da morte do bloco prisional da Penitenciária Cold Mountain. Ali, John Coffey, um gentil e enorme prisioneiro com poderes sobrenaturais, traz aos seus guardas e colegas de prisão, um sentido de espiritualidade e humanização que eles não esperavam lá encontrar."
Filme de 1999, realizado por Frank Darabont (que realizou The Shawshank Redemption – um dos meus filmes preferidos de sempre), baseado num livro de Stephen King e com Tom Hanks, Michael Clarke Duncan, James Cromwell e David Morse no elenco. São poucos os filmes pré-2000 que vejo, sabe-se lá porquê. Mas este The Green Mile já estava na minha to-watch list há imenso tempo. Indicado para 4 categorias dos Oscars e com a duração de 3 (!!) horas, este filme é um verdadeiro desafio. Mas vale tanto a pena. Elenco fabuloso (especial destaque para Tom Hanks e Michael Clarke Duncan), história fascinante, com poderes sobrenaturais à mistura – e eu não sou propriamente uma fã de sobrenaturalidade –, tudo neste filme merece ser apreciado. Emocionante, surpreendente, cativante. Um clássico!


Fantastic Beasts: The Crimes of Grindelwald – "No final do primeiro filme desta aventura criada por J.K. Rowling, o poderoso feiticeiro de magia negra Geller Grindelwald (Johnny Depp) foi capturado pelo Ministério Americano da Magia com a ajuda de Newt Scamander (Eddie Redmayne). Agora, fazendo jus à sua ameaça, Grindelwald consegue escapar e reunir seguidores que, na sua maioria, não suspeitam da sua verdadeira intenção: criar feiticeiros de sangue puro que consigam controlar todos os seres não mágicos. Albus Dumbledore (Jude Law), numa tentativa de frustrar os planos de Grindelwald, convoca o seu ex-aluno Newt Scamander, que concorda em ajudá-lo sem saber dos perigos que estão para vir…"
Como boa Potterhead que sou, claro que vi este filme no cinema. Não gostei tanto deste como o primeiro, achei-o bem mais confuso e penso que poderia ter sido melhor conseguido. Contudo, mesmo o filme menos bom do mundo Harry Potter é igualmente bom e, por isso, uma maratona dos dois Fantastic Beasts vale bem a pena, caso ainda não tenham visto nenhum dos dois (ou mesmo se já tiverem ;P). E o que foi aquele final, senhores?


*Publicação inserida no projecto Movie36*
A criadora do projecto é a Carolayne "Lyne" Ramos, do blogue "Imperium"
A parceira oficial é a Sofia Costa Lima, do blogue "A Sofia World"
Os restantes participantes:
Joana Sousa, "Jiji"
Cherry, "Life of Cherry"
Sónia Pinto, "By the Library"
Joana Almeida, "Twice Joaninha"
Sofia Ferreira, "Por onde anda a Sofia"
Inês Pinto, "Wallflower"
Abby, "Simplicity"

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Sou Hufflepuff, e agora?

Apesar de assumir que todas as pessoas que me lêem, leram todos os livros, viram todos os filmes e sabem TUDO sobre o mundo Harry Potter, vou deixar aqui um breve resumo das casas de Hogwarts. Existem 4 casas, cada uma com as suas características: os Gryffindor, a casa de Harry Potter e a casa que todos os fãs do mundo criado pela J.K. Rowling querem pertencer e que se caracteriza por serem bravos, corajosos e audazes; os Slytherin são astutos, capazes de usar quaisquer métodos para atingir os seus objectivos; a casa Ravenclaw acolhe os mais inteligentes, perspicazes e bem-humorados; e, por último, temos os Hufflepuff, a minha casa. Segundo o Chapéu Seleccionador, "onde trabalham os contentes // os alunos verdadeiros, // leais, justos, pacientes". E, também, a casa mais menosprezada por todos. Para quem não sabe, somos entendidos, em Hogwarts, como uns idiotas e tolinhos. Somos, normalmente, considerados os menos inteligentes, simplesmente porque não andamos a gabar-nos. Ninguém quer ser Hufflepuff. No entanto, eu tenho muito orgulho em pertencer a esta casa.

Começando por falar do nosso brasão – o texugo querido –, que é um animal pequeno, mas que quando provocado pode atacar animais maiores do que ele. Oh yes, baby! Somos os melhores amigos que alguém pode ter, aceitamos as diferenças que existem entre os seres humanos e somos a equipa mais acolhedora. "I'll teach the lot and treat them just the same", frase proferida por Helga Hufflepuff e que, basicamente, significa tratamento de forma igual para todos. Não me podia identificar mais.  


Quem leu os livros, ou viu os filmes, de uma forma séria e real, percebe uma das principais coisas que a J.K. Rowling nos quis transmitir: em todas as casas, há boas e más pessoas. Não é só nos Slytherin que estão os "maus" e também não é só nos Gryffindor que estão os heróis. Todas as casas têm qualidades, todas as casas têm defeitos. E não há mal nenhum nisso. Uma das razões para que muitas pessoas "tenham horror" a ser Hufflepuff é o pouquíssimo espaço dado à casa tanto nos livros, como nos filmes. Ou seja, a criação de um desinteresse generalizado pela casa.

Mas sabem quem também mais é Hufflepuff? O Newt Scamander, a personagem mais incrível de todo o universo. Sou Hufflepuff, e agora? Agora? Tenho o maior orgulho na minha casa.

«Hufflepuff! We huff, we puff! Hufflepuff!»

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Livros que quero ler: utopias/distopias

Quando escrevi sobre os livros que quero ler – nomeadamente, livros de não-ficção –, afirmei que tenho um caderno onde divido os livros por temas. Um dos meus temas preferidos está relacionado com utopias e distopias. Para quem não sabe a diferença entre estes dois termos, uma utopia é a ideia de uma civilização ideal, imaginária, perfeita e, por isso, inalcançável. Já uma distopia, ou anti-utopia, é o oposto: apresenta uma visão negativa do futuro, sendo geralmente caracterizada pelo totalitarismo, autoritarismo e pelo opressivo controlo da sociedade. O termo "utopia" foi cunhado por Thomas More, um filósofo britânico, que, em 1516, publicou um livro onde descrevia o que ele entendia ser uma sociedade perfeita – chamado, precisamente, A Utopia.

Li poucos livros desta categoria na minha vida, mas há dois que recordo como duas grandes obras-primas: 1984, de George Orwell (um clássico) e A história de uma serva, de Margaret Atwood (aqui). Para além disso, A Quinta dos Animais, de que já falei aqui, é, também, um dos melhores livros sobre o totalitarismo e de como uma revolução pode descambar numa ditadura. Aconselho estes três para entrar no mundo distópico. Vamos, então, passar aos livros utópicos/distópicos que eu quero muito ler:

Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley – «Admirável Mundo Novo é uma parábola fantástica sobre a desumanização dos seres humanos. Na utopia negativa descrita no livro, o Homem foi subjugado pelas suas invenções. A ciência, a tecnologia e a organização social deixaram de estar ao serviço do Homem; tornaram-se os seus amos. Desde a publicação deste livro, o mundo rumou a passos tão largos na direcção errada que, se eu escrevesse hoje a mesma obra, a acção não distaria seiscentos anos do presente, mas somente duzentos. O preço da liberdade, e até da simples humanidade, é a vigilância eterna.»
Publicado em 1932, acho que é a distopia mais conhecida depois de 1984, do Orwell. Tão conhecida que a Syfy está a pensar em fazer uma adaptação do livro em formato série (ainda não li o livro e já quero muito!!!). Também quero ler outros livros do Huxley, como o As Portas da Percepção ou A Ilha. O Admirável Mundo Novo já habita cá em casa, estou apenas a ganhar coragem para pegar nele.


O Processo, Franz Kafka – «Um belo dia, Joseph K., um bem sucedido gerente bancário, é subitamente preso no seu próprio quarto, sem saber porquê nem por quem. Vê-se então envolvido num labiríntico e absurdo processo que decorre secretamente algures nas secretarias instaladas nos sótãos e é conduzido por juízes menores, que têm a mera incumbência de o inquirir. Concebido em 1914 (na sequência do doloroso rompimento do noivado com Felice Bauer), de uma forma fragmentária, com capítulos completos e outros por completar, passíveis de serem facilmente deslocados dentro de uma estrutura circular, o romance O Processo – que é em si também um fragmento – constitui para Kafka a forma ideal para expressar a fragmentação do mundo e da realidade em que vive o homem moderno. Nesta perspectiva, O Processo representa um marco na história do romance moderno.»
Do Kafka, já li A Metamorfose – que adorei – e, desde aí, que fiquem com muita vontade de voltar a ler algo do autor. Este livro já me foi recomendado por muitas pessoas, por isso, as minhas expectativas estão bem altas.


Laranja Mecânica, Anthony Burgess – «A laranja mecânica é a assustadora confissão autobiográfica de Alex, um jovem delinquente que relata os seus excessos criminosos na companhia dos amigos Pete, Georgie e Lerdo, e que mais tarde nos dá conta da sua «reeducação». O livro pode ser lido como uma comédia grotesca ou, a um nível mais profundo, como uma fábula sobre o bem e o mal e a importância do livre arbítrio. Tal como o genial Alex diria: "É uma história horrorochosa, que vos levará a esmecar que nem uns bezumos ou vos deixará de lágrimas nos glazos".»
Mais um livro que aparece em todas as listas de utopias/distopias. Estive com a versão inglesa nas mãos na Feira do Livro do Porto este ano, mas achei que o desconto não seria suficientemente proveitoso. É considerado um dos livros mais influentes do século XX e quero muito lê-lo.


O Deus das moscas, William Golding – «Publicado originalmente em 1954, O Deus das Moscas de William Golding é um dos mais perturbadores e aclamados romances da actualidade. Um avião despenha-se numa ilha deserta, e os únicos sobreviventes são um grupo de rapazes. Inicialmente, desfrutando da liberdade total e festejando a ausência de adultos, unem forças, cooperando na procura de alimentos, na construção de abrigos e na manutenção de sinais de fogo. A supervisioná-los está Ralph, um jovem ponderado, e o seu amigo gorducho e esperto, Piggy. Apesar de Ralph tentar impor a ordem e delegar responsabilidades, muitos dos rapazes preferem celebrar a ausência de adultos nadando, brincando ou caçando a grande população de porcos selvagens que habita a ilha. O mais feroz adversário de Ralph é Jack, o líder dos caçadores, que consegue arrastar consigo a maioria dos rapazes. No entanto, à medida que o tempo passa, o frágil sentido de ordem desmorona-se. Os seus medos alcançam um significado sinistro e primitivo, até Ralph descobrir que ele e Piggy se tornaram nos alvos de caça dos restantes rapazes, embriagados pela sensação aparente de poder.»
O autor foi Prémio Nobel da Literatura em 1983, o que aguça logo a minha curiosidade. Para além disso, parece ser daqueles livros que nos fica na memória durante muito tempo, pelo seu carácter de perturbação. No entanto, já vi (li) pessoas que adoram o livro, outras que não gostaram mesmo nada. Não sei qual será a minha reacção, mas é mais um livro distópico para acrescentar a esta lista.


Fahrenheit 451, Ray Bradbury – «O sistema era simples. Toda a gente compreendia. Os livros deviam ser queimados, juntamente com as casas onde estavam escondidos... Guy Montag era um bombeiro cuja tarefa consistia em atear fogos, e gostava do seu trabalho. Era bombeiro há dez anos e nunca questionara o prazer das corridas à meia-noite nem a alegria de ver páginas consumidas pelas chamas... Nunca questionara nada até conhecer uma rapariga de dezassete anos que lhe falou de um passado em que as pessoas não tinham medo. E depois conheceu um professor que lhe falou de um futuro em que as pessoas podiam pensar. E Guy Montag apercebeu-se subitamente daquilo que tinha de fazer... De implicações assustadoras, a forma como reconhecemos o nosso mundo naquele que é retratado em Fahrenheit 451 é impressionante.»
Este, sem dúvida alguma, é o livro desta lista que eu tenho mais curiosidade para ler. A imagem de livros a serem queimados transporta-me imediatamente para a Alemanha nazi, especialmente para Junho de 1933 (pouco tempo depois da chegada de Hitler ao poder), o auge da perseguição dos nazis aos intelectuais. Centenas de milhares de livros foram destruídos: tudo o que fosse crítico ou se desviasse dos padrões impostos pelo regime. Depois dos livros queimados, foram as pessoas. É por isso, que sempre que vejo notícias de governos a proibirem livros, ou até mesmo a destruí-los, eu fico assustada. Porque depois dos livros, são as pessoas. Quando se queimam livros, já não resta nada. Nem a alma.

 

Se repararem, todos os livros desta lista foram escritos no século XX, o século que foi próspero em totalitarismos e autoritarismos – Alemanha nazi, Itália de Mussolini, União Soviética, Espanha franquista, Portugal Salazarista, entre outros… não é, portanto, uma coincidência. Infelizmente, parece que estamos a voltar no tempo, com a implementação de regimes ditatoriais (muitos deles disfarçados) em muitos países do mundo, incluindo na Europa. E eu defendo que são os livros a nossa arma mais forte. É através da leitura que nos cultivamos, que aprendemos novas ideias, que distinguimos o bem do mal. Um povo informado e culto nunca será um povo subjugado.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Pensamentos Aleatórios #9

Viciadíssima em Elite. Vi hoje o primeiro episódio por acaso, e duvido que chegue ao fim do dia sem a temporada vista. Quando estreou, e apesar de todo o burburinho à sua volta, não fiquei com muito interesse em ver a série. Agora, estou viciada. Não tenho remédio.

Londres #1

Novembro foi mês de ir passear a terras de Sua Majestade. Moderna e histórica, marcada pela inovação e elegância, de cultura singular, Lond...