segunda-feira, 15 de outubro de 2018

As séries que ando a ver #4

Agora que já estou mais ou menos habituada ao mundo do trabalho e já tenho as minhas rotinas, já me consigo organizar melhor e fazer com que o meu dia tenha, de facto, 24 horas bem-aproveitadas. Já tenho mais tempo para mim, vou ver se começo a fazer exercício físico, e voltei a ter tempo para ver séries. É especialmente ao fim-de-semana que eu aproveito para aviar uns quantos episódios (ou uma temporada mesmo) e, desta forma, consegui trazer de volta a rubrica As séries que ando a ver (podem ver as outras publicações aqui, aqui e aqui). Destas quatro séries, três voltaram em finais de Setembro e Preacher era daquelas que tinha em atraso há uma vida.

Preacher – "Jesse Custer é um ex-pastor que foi possuído por uma entidade chamada Génesis, que fugiu do Paraíso e está a ser procurada pelos anjos. Quando Jesse e Génesis se tornam um só, os anjos enviam o Saint of Killers, um matador do Século XIX, para persegui-lo."
Que série esta, senhores! Muito forte a nível de imagens, por isso, não recomendável a pessoas mais sensíveis. Humor, acção, violência, uma boa dose de sátira e crítica social. Para além do Jesse, as outras duas personagens principais – Tulip O'Hare e Cassidy – merecem todo o destaque, já que são eles que dão muita vida à série.


Empire – "Lucious Lyon é o CEO da Empire Entertainment e um ex-delinquente com um reino incontestado há anos. Mas tudo muda quando descobre que tem uma doença que o vai deixar incapacitado num prazo de três anos. Assim, tem de preparar um dos seus três filhos para o substituir na sua posição de poder, sem destruir a sua já fragilizada família. À medida que Lucious prepara os seus filhos, os seus planos são colocados em risco pela sua ex-mulher, Cookie, que surge sete anos mais cedo da prisão onde passou quase duas décadas. Destemida, ela vê-se como uma sacrificada que construiu um império com Lucious e que acartou com as culpas da venda das drogas que financiaram inicialmente a carreira de Lucious."
Músicas incríveis, poderosas, que nos fazem chorar, dançar, rir. As primeiras duas temporadas foram muito boas, depois o nível começou a piorar. No entanto, eu gosto tanto das músicas que foram criadas ao longo da série que não consigo desistir dela. Estou aqui a torcer para que a quinta temporada volte à qualidade das primeiras. E, para além disso, só Empire é que tem a maravilhosa Cookie, das melhores personagens de sempre.


The Last Ship – "A missão deles é simples. Encontrar uma cura. Parar o vírus. Salvar o mundo. A série abre com uma grande catástrofe mundial: uma epidemia que matou 80% da população do planeta. Pela sua localização durante o surto, a tripulação de um navio de guerra da marinha sobrevive à dizimação e agora deve encontrar uma maneira de salvar a humanidade da extinção."
Assim como Empire, as primeiras duas temporadas são incríveis, e depois o nível começa a descer. Já gostei muito da série, agora só estou aqui a pedir para que não a estraguem ainda mais.


The Good Doctor – "The Good Doctor traz-nos a vida de Shaun Murphy, um jovem cirurgião que sofre de autismo e da síndrome de Savant, conhecida também como a "síndrome do sábio", uma doença que dificulta o relacionamento com os outros, e que também lhe permite desenvolver habilidades mentais prodigiosas, como é o caso da sua extraordinária memória. Apesar de sofrer uma infância complicada, torna-se num médico bem-sucedido e talentoso. As suas virtudes fizeram com que fosse contratado pelo doutor Aaron Glassman na unidade de cirurgia pediátrica do prestigioso San José St. Bonaventure Hospital. No entanto, nem todos os seus colegas de profissão estão de acordo com a decisão de ter na equipa um médico com autismo."
A seguir a This Is Us, a série que mais me fez chorar. Logo no primeiro episódio, acho que aos 15 minutos já tinha criado um oceano inteiro. Adoro esta série, o Freddie Highmore é um actor fenomenal e diferencia-se de todas as outras séries de hospitais por demonstrar que o autismo não torna alguém menos capaz de exercer uma profissão tão sob pressão, como é ser médico. Para além disso, o Nicholas Gonzalez faz parte do elenco (se não sabem quem é, procurem. Vale bem a pena). Série incrível!



quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Leituras Desassossegadas #27

Parábola do cágado velho, Pepetela

«Pepetela nasceu em Benguela, Angola, em 1941. Licenciado em Sociologia em Argel, escritor, guerrilheiro em Angola, político e representante do MPLA, foi professor na Universidade de Angola e membro da Comissão Directiva da União dos Escritores Angolanos. A atribuição do Prémio Camões, em 1997, confirmou o seu lugar de destaque na literatura lusófona.
"Falo de um amor e de uma transgressão.
Que sabe, talvez a transgressão nunca fosse possível. Mas a granada existiu, essa granada que traçou no ar espantado do planalto a figura da mulher amada.
Mas uma granada, mesmo com tal magia, pode materializar um mundo?"
Pepetela, Prémio Camões 1997»

Este foi o meu primeiro livro de Pepetela, um autor que eu já quero ler há imenso tempo – este está definitivamente a ser o ano de me iniciar em novos autores – e para os mais esquecidos, uma parábola é uma "narração alegórica que envolve algum preceito de moral, alguma verdade importante." [Priberam]

As primeiras páginas são difíceis de ultrapassar, talvez pelo lado mais "poético" e para quem não está familiarizado com o dialecto de Angola, como é o meu caso. Contudo, só tive mesmo dificuldade nas primeiras páginas, até porque na última folha do livro da edição que eu tenho está um glossário, que eu consultei uma vez ou outra (na grande maioria, entende-se o significado pelo contexto).

A história narrada passa-se num lugar onde não existe igualdade entre homens e mulheres, a poligamia é algo que é aceite e o costume é a mulher obedecer ao marido, "comer e calar". No entanto, os jovens têm ideias inovadoras e que contrariam os costumes e tradições em que a sociedade assenta, e ambicionam ir para Calpe, a "cidade-sonho". "Esta juventude de agora não tinha só ideias diferentes, também os costumes" (p.161).

Parábola do cágado velho retrata o conflito de gerações, as crenças e os costumes e a sua evolução, e como é que a guerra é vivida pelo povo, que não a fez, não a quer e não percebe porque é que existe. Mas sofre com as suas consequências. "Quem ganhou com esta guerra? Tu talvez tenhas ganho, pelo menos parece pelo aspecto. O teu irmão não tem nada. Quem ganhou, eu não sei. Quem perdeu, isso eu sei, fomos nós todos" (p.162).

A paz é muito mais do que a ausência de guerra. Em Relações Internacionais (para quem não sabe, a minha área), aprendemos que existem dois conceitos de paz: a paz positiva e a paz negativa. A paz negativa é a simples ausência de guerra, o que não quer dizer que esta não possa estar iminente. Não há conflito directo/armado, mas continuam a existir problemas. O exemplo maior de paz negativa é a Guerra Fria. Por outro lado, a paz positiva pressupõe a construção de uma sociedade melhor e de uma ordem social e política que a generalidade da sociedade aceita como justa. "Que havia paz, sim, mas tudo podia acontecer e até quando havia paz? Melhor seria dizer não havia guerra." (p.152)

Uma história simples, que retrata a humildade de quem vive fora dos grandes centros urbanos, num lugar supostamente escondido, e que nem sabe quem os governa ou as razões para a existência de uma guerra. Gostei muito da forma como Pepetela escreve, e mal posso esperar por ler mais livros do autor.


Um socialista associal, George Bernard Shaw

«Reflexo de uma opção ideológica de Bernard Shaw, Um Socialista Associal, publicado pela primeira vez em 1884, é uma divertida e irónica sátira social em que o herói, Sidney Trefusis, foge da sua amada e atraente mulher, Henrietta, e renuncia à sua fortuna e à sua classe social para se poder dedicar de corpo e alma à promoção do socialismo. Mas, Trefusis é um homem sem rumo… um marxista ateu, adúltero, anarquista e mentiroso, com um comportamento nem sempre coerente com os princípios que defende.
Tido como o mais ambicioso romance de Shaw, Um Socialista Associal (que, curiosamente, começou por chamar-se The Heartless Man - O Homem sem Coração) é também o mais polémico, quer por abordar a veia romântica do movimento socialista quer por remar contra as convenções sociais estabelecidas. Talvez por isso as editoras lhe tenham resistido tanto.»

A sinopse deste livro prometia muito, mas não gostei tanto como estava à espera. Não senti empatia pelo protagonista ou por qualquer outra personagem (talvez, Agatha), achei a história incoerente. Começou muito bem, e acabou como um romance aborrecido e sem lógica.

O livro é, supostamente, uma sátira ao socialismo, mas não o entendi assim. Sim, o protagonista era uma caricatura, algo bastante exagerado, mas era sobretudo arrogante, confuso, e estranho. Não recomendo.

No entanto, gostei muito de uma passagem e, apesar de o livro ter sido escrito no século XIX, está extremamente actual: "os homens modernos adoram os ricos como deuses e elegem alguém para seu governante por nenhuma outra razão senão por esse homem ser milionário". Em 1884, já se falava de Donald Trump…


segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Como foi a minha experiência Erasmus

Recentemente, apercebi-me que ainda não tinha falado aqui sobre como foi ter estudado fora de Portugal durante cinco meses. Falei-vos das muitas viagens que fiz, mas nunca cheguei a relatar a minha experiência enquanto estudante Erasmus. Hoje chegou o dia.

Estudei na Holanda durante cinco meses, de fevereiro a junho, e foi a minha primeira vez sozinha e a estudar fora de Portugal. Ainda antes de saber para que curso e universidade eu iria, já tinha um objectivo definido na minha mente: eu queria fazer Erasmus. Não sei de onde surgiu este bichinho, mas lembro-me de que já no Básico, eu dizia que queria ir estudar para fora durante algum tempo. Assim, candidatei-me logo no primeiro ano para fazer Erasmus no segundo semestre do segundo ano (tenham atenção, se quiserem fazer Erasmus, normalmente, a candidatura tem de ser feita muito tempo antes – uns largos bons meses). Escolhi esta altura porque me pareceu a mais indicada e a menos arriscada, já que se reprovasse a alguma cadeira lá, teria sempre o terceiro ano para a fazer cá.

 

Então, porquê a Holanda? Ao contrário do que eu estava à espera, sendo o meu curso Relações Internacionais, a minha universidade não tinha assim tantas opções para quem quisesse fazer Erasmus no segundo ano (já no terceiro, a escolha era bem maior). Lembro-me, assim por alto, que as minhas opções incluíam a Holanda, a nossa vizinha Espanha, a Eslováquia e talvez mais um ou outro país de Leste. Quando escrevi aqui sobre o maior jardim de flores do mundo – o Keukenhof – afirmei que visitar a Holanda na Primavera tinha sempre sido um sonho/objectivo para mim. Quando surgiu a oportunidade de não só visitar o país, mas também de viver lá durante a minha estação do ano preferida, obviamente tinha de ser esta a minha escolha!


Como é que foi viver na Holanda? Resposta: foi incrível! Dou-vos, desde já, o spoiler: foi mesmo incrível. Incrivelmente incrível. Percebe-se que eu adorei lá estar? Não?? É um país incrível.
Em primeiro lugar, acho que toda a gente tem a mesma ideia dos holandeses: são um povo feliz, andam nas suas bicicletas felizes da vida, têm pouco sol e adoram flores. Isto é tudo verdade. Para além disso, os holandeses são extremamente simpáticos. Falam todos (ou quase todos) inglês e estão sempre prontos a ajudar. Nunca tive razões de queixa.
Ademais, os transportes públicos funcionam super bem, são novos, aquecidos e modernos (sim, têm wi-fi) e são sempre pontuais, sejam comboios ou autocarros (ao contrário dos daqui).


O sistema de ensino. Acho que o que mais me surpreendeu na faculdade foi mesmo o método de ensino, que é completamente diferente ao que estamos habituados em Portugal. Em cinco meses, só tive quatro cadeiras e que foram divididas – ou seja, durante dois meses e meio tive duas cadeiras, e só depois é que tive as outras duas. Isso fez com que o meu horário não fosse nada sobrecarregado, se bem que estava sempre a mudar de uma semana para outra.
Mas, bom, o sistema de ensino. Na Holanda (e penso que nos países nórdicos), o sistema de ensino baseia-se numa coisa chamada Problem-Based Learning. Muito resumidamente, o que nós, alunos, tínhamos de fazer era ler alguns capítulos de livros ou artigos previamente definidos pelo professor e depois discuti-los na aula. Convém dizer que, no máximo dos máximos, éramos vinte alunos na sala (o que me chocou imenso, visto que em Portugal somos sempre, pelo menos, mais de cinquenta). Neste sistema de ensino, o professor é mais um moderador, não estando lá tanto para falar, falar, falar, mas sim guiar os alunos para o rumo certo.
Sinceramente, acho que aprendi mais em cinco meses fora do que os dois anos e meio aqui em Portugal. Não é que no meu curso não tivesse aprendido coisas novas, claro que aprendi, mas acho que o que aprendi na Holanda me ficou mais presente na memória, muito graças a este sistema de ensino. Todas as semanas, eu lia artigos ou capítulos de temas que realmente importavam e me interessavam e, depois de discutir com os meus colegas, ganhava sempre uma nova perspectiva dos mesmos. Acho que se as nossas universidades implementassem este sistema, o nosso sistema de educação só ficaria a ganhar.

As viagens. Penso que já afirmei aqui que um dos meus grandes objectivos ao ir estudar para a Holanda era conhecer o maior número de países possível. A Holanda fica no centro da Europa, extremamente bem situada, o que deu para conhecer muito dos países em redor. Como não deu para conhecer a Holanda a fundo, já que estava sempre, sempre a chover (só conheci 3 cidades), aproveitei para conhecer outros países, como fui falando aqui desde que criei o blogue. O país a que fui mais foi à Bélgica, já que é um pulinho de comboio, e tem cidades muito bonitas. A Alemanha também fica bastante perto, tendo aproveitado para conhecer duas das suas cidades.
Olhando para trás, fica sempre a sensação de que poderia ter viajado mais. Poderia ter conhecido melhor a Holanda. Mas, acho que viajei o suficiente, conheci cidades que não estava à espera de conhecer – quem é que imaginaria que eu iria viajar da Holanda para Paris, sendo a França tão perto de Portugal?
Sem dúvida que quando fui viver para a Holanda, e mesmo antes, nunca pensei que fosse viajar tanto e conhecer tantas cidades. Desta forma, acho que o que conheci me chegou e fui muito feliz durante estes cinco meses.

Publicações sobre as viagens que fiz durante o meu período ERASMUS:
Paris: #1, #2, #3
Bruxelas: #1, #2
Roma: #1, #2, #3, #4, #5
Viena: #1, #2, #3
Budapeste: #1, #2, #3, #4
Bratislava: #1, #2
Berlim: #1, #2, #3
Amesterdão: #1, #2


As bicicletas. Por último, o tema "quente". A verdade é que Amesterdão, para quem não está habituado ao "mundo das bicicletas", pode ser uma cidade bastante confusa.
Existem algumas regras, que eu fui aprendendo durante a minha estadia na Holanda, e que vou partilhar aqui convosco. Em primeiro lugar, se estão a pé, não andem, repito, não andem no local próprio para as bicicletas – não é difícil de saber qual é, já que, normalmente, ou são de outra cor (vermelho ou azul) ou têm mesmo o símbolo de "apenas para bicicletas" e que é igual em todo o lado. E não parem nunca nas ciclovias só para tirarem uma foto – arriscam-se a ir parar ao outro lado, se é que me entendem.
Para além disso, não sei se é só na Holanda, ou se também existem aqui em Portugal, mas lá muitas bicicletas não têm o travão no guiador. É um bocado estranho, pelo menos até se habituarem, mas em muitas das bicicletas o travão é no pedal. Por isso, para travar é só pedalar no sentido inverso – bem, não é bem pedalar, mas sim fazer força no sentido contrário.
Se vocês deixarem a bicicleta no lugar errado ou se a deixarem estacionada no mesmo sítio por vários dias, arriscam-se a ficar sem ela. Os holandeses são muito severos em termos de cidadania e civilização, por isso, ou cumprem as regras ou quando chegarem ao sítio onde deixaram a bicicleta, já não há bicicleta para ninguém.


Eu adorei ter feito Erasmus, não estava à espera de que fosse tão bom. Adorei viver na Holanda, conhecer uma cultura, uma sociedade e um sistema de ensino novos e adorei as viagens que fiz. Sem dúvida, recomendo muito. Foram os melhores meses da minha vida de estudante.

*todas as imagens foram retiradas de um banco de imagens*

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Pensamentos Aleatórios #6

Todas as pessoas estão preocupadas com o meu futuro. E eu? Agora que acabei a universidade e sou oficialmente licenciada, todas as pessoas à minha voltam me perguntam "E agora? Vais fazer mestrado? Estagiar? O que é que vais fazer agora que já tens o canudo?". Há uma pressão de todos - dos meus pais, tios, irmãos dos tios, pais dos tios, vizinhos, pessoas que eu não conheço assim tão bem - para que eu tenha um futuro. Mas não é um futuro a longo prazo, não. Querem o meu futuro já. Agora. Neste preciso momento. Segundo estas mesmas pessoas, se não estou a tirar mestrado, devia já estar a trabalhar na área. Mas não estou. Não estou porque não procurei nem quero isso agora. Quero experimentar outras coisas. Quero fazer voluntariado primeiro. Mas, também, não quero ir já fazer voluntariado. Calma. 

Parece que todas as pessoas à minha volta estão preocupadas com o meu futuro e eu não. Segundo a visão da "sociedade", eu estou a desleixar-me com o futuro. Porque não estou a trabalhar na área em que me formei (apesar de estar a trabalhar na mesma!). Porque não estou a seguir o rumo natural da vida de que a seguir a uma licenciatura vem o mestrado. Ou um estágio.

Claro que estou preocupada com o meu futuro. Seria imprudente e até estúpida se não estivesse. Mas quero levar o futuro com calma. Fazer as coisas ao meu ritmo. Provavelmente, estou a fazer tudo errado - se tantas pessoas me abordam, certamente estarei -, posso até bater com a cabeça contra a parede uma, duas, três vezes, mas há algum mal em ir caminhando, passo a passo, como um bebé que mal aprendeu a andar, em direcção ao futuro? Deveria eu ir a correr, pegar no carro mais próximo, e arrancar prego a fundo em direcção a esse mesmo futuro?

Futuro, sentes que eu estou a desleixar-te? Que não quero saber de ti? Que não me preocupo contigo? Sentes isso? Não sei o que me trarás, não faço a mais pequena ideia (se calhar, o problema é mesmo esse), mas não me esqueci de ti. Penso em ti várias vezes. Tenho planos. Muitos planos. Muitos deles, nem sequer vão sair desta cabecinha - porque nem num papel os escrevo. Mas só quero que saibas que estás presente na minha mente. Independentemente do que as pessoas à minha volta dizem, eu preocupo-me, e estou preocupada, contigo. Simplesmente, quero levar as coisas com calma. Percebes isso, não percebes?

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Movie36 - Setembro

Em Setembro, achava que ia voltar à minha saga de ver muitos filmes. Comecei bem o mês, vi um filme por fim-de-semana, mas, agora que Setembro acabou, percebi que deixei de ver filmes para aí a meio do mês - o que é uma pena. Muitos filmes que quero ver, pouco tempo para isso. Enfim, em Outubro temos um fim-de-semana prolongado (yeah!!!), pode ser que veja uns quantos. Os filmes deste mês são:

To All The Boys I've Loved Before – "Quando as suas cartas de amor são enviadas para cada um dos cinco rapazes por quem se apaixonou, Lara Jean vê a sua vida no liceu ficar virada do avesso." [Netflix]
Filme muito badalado neste mundo da internet (pareço as pessoas mais velhas a falar), especialmente no Twitter. Durante dias, vi (e li) a Cherry, a Lyne, a Sofia, a Sónia a falarem maravilhas do filme e de como se tinham apaixonado por esta película da Netflix. E, atenção, que vem aí polémica!
A minha opinião é a seguinte: é um filme fofo, mas cliché. A típica comédia romântica de domingo à tarde. Identifiquei-me com a protagonista, como acho que todas as pessoas introvertidas se irão identificar. No entanto, quantas de nós é que vamos ter um amor como o Peter Kavinsky? A minha pouca fé no amor e na humanidade quer responder «nenhuma», mas vá, sendo optimista, só poucas de nós encontrarão um namorado assim. Também não percebo a crush que metade do mundo tem no Noah Centineo. Está bem que ele é giro e tem um certo charme, mas não achei razão suficiente para tanto alarido.
É um filme que se vê bem, lá está, num domingo à tarde.


Sierra Burgess is a Loser – "Um SMS para o número errado inicia um romance virtual entre uma jovem esperta mas impopular e um atleta que pensa estar a falar com uma líder de claque que é um espanto." [Netflix]
Mas que filme foi este? Catfishing, uma miúda com falta de auto-estima e que acha que pode fazer o que quer, sem qualquer respeito pelos outros. Houve ali uma altura que me apetecia mesmo bater na Sierra, dar-lhe dois pares de estalos a ver se ela acordava para a vida. Vi comentários de pessoas a dizerem que só vai entender a protagonista quem também já sofreu, ou sofre, de baixa auto-estima e de ausência de amor-próprio. Discordo totalmente. Na minha opinião, isso não é desculpa para enganar, sim, é esta a palavra, outra pessoa. 
Mais uma típica comédia romântica de domingo à tarde, só que num nível pior. Não gostei mesmo nada deste filme.


Bad Genius – "Lynn é uma estudante sobredotada que resolve ajudar a sua melhor amiga Grace e o "menino do papá" Pat a obterem melhores notas nos exames do colégio. O que começa como simples aulas particulares logo evolui para copianços elaborados, e o serviço prestado passa a ser muito bem remunerado. Certo dia, Lynn vê a oportunidade de ganhar milhões de bahts num esquema para fraudar as respostas do exame STIC, um exame internacional que abre as portas de grandes universidades em todo o mundo."
Filme tailandês, nomeado para Melhor Filme Estrangeiro nos Oscars deste ano, dura duas horas e pouco, que parece que passaram a voar. Foi uma experiência estranha esta, de apenas ouvir a língua tailandesa durante duas horas, ver actores que nunca vi na vida (e que provavelmente não voltarei a ver). Mas gostei. Há momentos cómicos, momentos de drama, momentos de tensão. Fez-me lembrar La Casa de Papel, já que também estava a torcer para que conseguissem fazer algo condenável, sempre a pensar "vai conseguir, não vai conseguir, vai conseguir, não vai conseguir". Há ali uma parte muito boa, com todo o suspense a que temos direito, estava nuns nervos e ânsia tais que parecia que o coração me ia sair pela boca. É um filme que, à partida, poucas pessoas vão ver, mas, se um dia o apanharem nalgum canal, vejam, que vale bem a pena.


San Andreas – "Depois de a famosa falha de San Andreas finalmente ceder desencadeando um sismo de magnitude 9 na Califórnia, um piloto de helicóptero de resgate e salvamento e a sua mulher, de quem já estava afastado há algum tempo, fazem juntos o caminho de Los Angeles a São Francisco para salvar a sua única filha. Mas esta arriscada viagem é apenas o início. E quando eles pensam que o pior já passou... está, na verdade, a começar."
No passado Domingo, passou o San Andreas na SIC e eu aproveitei para o ver. Quando estreou, houve muito burburinho à volta deste filme, mas nunca tive muito interesse nele. Aproveitei para o ver em canal aberto e, digo-vos, se ainda não viram, também não perderam nada. Muito mau. Muito óbvio. O suposto herói norte-americano que deixa tudo para ir salvar a filha e a ex-mulher. Consegue salvar a ex-mulher em LA e ainda chegar a tempo de salvar a filha em São Francisco. Um casal que se forma no meio da tragédia, outro que reata. Muitos terramotos, uns sempre atrás dos outros (na vida real, ninguém sobreviveria, quanto mais sair incólume). Tudo muito cliché. Não vale a pena.
Já agora, aproveito para dizer aqui que não percebo a loucura do mundo pelo The Rock. É o quê? Aqueles músculos exagerados? O ser mau actor? O que é que o mundo adora nele, que eu não consigo perceber? 


*Publicação inserida no projecto Movie36*
A criadora do projecto é a Carolayne "Lyne" Ramos, do blogue "Imperium"
A parceira oficial é a Sofia Costa Lima, do blogue "A Sofia World"
Os restantes participantes:
Inês Vivas, "VIVUS"
Vanessa Moreira, "Make it Flower"
Joana Almeida, "Twice Joaninha"
Joana Sousa, "Jiji"
Alice Ramires, "Senta-te e Respira"
Cherry, "Life of Cherry"
Sónia Pinto, "By the Library"
Francisca Gonçalves, "Apenas Francisca"
Carina Tomaz, "Discolored Winter"
Sofia Ferreira, "Por onde anda a Sofia"
Rosana Vieira, "Automatic Destiny"
Inês Pinto, "Wallflower"
Abby, "Simplicity"

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Leituras Desassossegadas #26

O Ano da Morte de Ricardo Reis, José Saramago

«Um tempo múltiplo. Labiríntico. As histórias das sociedades humanas. Ricardo Reis chega a Lisboa em finais de Dezembro de 1935. Fica até Setembro de 1936. Uma personagem vinda de uma outra ficção, a da heteronímia de Fernando Pessoa. E um movimento inverso, logo a começar: «Aqui onde o mar se acaba e a terra principia»; o virar ao contrário o verso de Camões: «Onde a terra acaba e o mar começa.» Em Camões, o movimento é da terra para o mar; no livro de Saramago temos Ricardo Reis a regressar a Portugal por mar. É substituído o movimento épico da partida. Mais uma vez, a história na escrita de Saramago. E as relações entre a vida e a morte. Ricardo Reis chega a Lisboa em finais de Dezembro e Fernando Pessoa morreu a 30 de Novembro. Ricardo Reis visita-o ao cemitério. Um tempo complexo. O fascismo consolida-se em Portugal.»

O Ano da Morte de Ricardo Reis, como todos os livros do Saramago, não é um livro fácil de ler. É um livro com vários caminhos, vários labirintos. É preciso atenção reforçada para conseguir entendê-los. A história é bastante original, onde a ficção se mistura com a História, conhecemos Lisboa pelos olhos de Ricardo Reis, relembramos o que aconteceu em Portugal e no mundo nos anos 1935-1936 – Salazar, Guerra Civil Espanhola e Franco, Hitler, Mussolini. Adorei, especialmente, as conversas de Ricardo Reis com Fernando Pessoa, já que Pessoa é dos meus poetas favoritos [pequeno aparte: quanto aos heterónimos, Álvaro de Campos todos os dias da minha vida]. 
Adoro Saramago, a sua escrita não me faz confusão nenhuma, leio-o como se ele próprio estivesse a contar-me a história. Estou dentro daquele mundo, a ler tão rápido quanto é necessário em algumas partes, calmamente noutras. Os livros do Saramago remetem sempre para a reflexão, a crítica da nossa sociedade, o estado da alma.

Já vos falei deste livro por duas vezes aqui no blogue, uma, no Dia Mundial do Livro, quando afirmei que já queria ler este livro há imenso tempo, mas tinha receio por ter as expectativas demasiado altas e a outra quando o escolhi para o Book Bingo Leituras ao Sol. Várias pessoas consideram este o seu livro preferido de Saramago, e eu percebo perfeitamente, mas o meu continua a ser o Ensaio sobre a cegueira. No entanto, também gostei imenso deste – já são seis os livros do Saramago que li (estou a tentar ler um livro por ano dele [este ano fiz batota – li dois]) e, sem dúvida, que este está no pódio.

Citações:
"é que a sensibilidade das pessoas tem recônditos tão profundos que, se por eles nos aventurarmos com ânimo de tudo examinar, há grande perigo de não sairmos de lá tão cedo."

"És difícil de contentar, Nem por isso, basta-me o que tenho agora, estar aqui deitada, sem nenhum futuro"

"Só me resta morrer, Já está morto, Pobre de mim, nem isso me resta."


Apesar de a publicação só estar a sair agora, acabei o livro no dia 22, exactamente o último dia para terminar as Leituras ao Sol. E, dito isto, posso exclamar BINGO!, já que consegui ler todos os 16 livros a que me propus em 3 meses. Como escrevi na publicação inicial, não tinha expectativas de conseguir completar este desafio, por isso, estou muito contente de me ter completamente superado.
Achava que só ia conseguir ler metade dos livros, especialmente porque comecei a trabalhar e o tempo é escasso. No entanto, consegui sempre arranjar um tempinho para ler: na pausa para almoço, antes do jantar, antes de dormir. Ler 16 livros num espaço de 3 meses é qualquer coisa. Pelo menos, para mim, que normalmente leio 3/4 livros por mês e estou muito contente por ter participado neste desafio e por o ter concluído.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Pensamentos Aleatórios #5

É por isto que o Saramago é o maior: 
"e digam-me cá se não se encontrariam mais bichinhos desses na terra que de estrelas tem o céu, ou o espaço sideral, se preferirmos dar um nome poético à convulsa realidade do universo em que somos um fiozinho de merda a ponto de se dissolver." (As Intermitências da Morte)

As séries que ando a ver #4

Agora que já estou mais ou menos habituada ao mundo do trabalho e já tenho as minhas rotinas, já me consigo organizar melhor e fazer com qu...