sábado, 31 de março de 2018

The Shape of Water - Movie36

Tarde, mas chegou!! O último filme do mês de Março - The Shape of Water.

Tinha alguns preconceitos em relação a este filme. Basicamente, sabia que era uma história de amor entre uma mulher e uma "criatura do mar", o que fez com que eu tivesse zero vontadinha de o ver. Mas, como ganhou o Oscar de Melhor Filme, queria ver se realmente era bom.

"Década de 60. No meio de grandes conflitos políticos e transformações sociais dos Estados Unidos da Guerra Fria, a muda Elisa (Sally Hawkins), funcionária de limpeza num laboratório experimental secreto do governo, afeiçoa-se a uma criatura fantástica mantida presa e maltratada no local. Para executar um arriscado e apaixonado resgate, ela recorre ao melhor amigo Giles (Richard Jenkins) e à colega de turno Zelda (Octavia Spencer)."

Não sei se as minhas reservas quanto ao filme fizeram com que eu gostasse ainda menos do que aquilo que eu estava à espera. Que filme foi este, senhores? Foi isto que ganhou o Oscar de Melhor Filme? Valha-nos as cinco chagas do senhor.

Eu sei que imensas pessoas acharam o filme muito belo e emotivo, mas ou eu é que sou muito insensível, ou então simplesmente não é um filme indicado para mim. Contudo, tenho de ressalvar, aqui, a prestação da Sally Hawkins, que foi absolutamente extraordinária, conseguindo transmitir tudo o que sentia sem dizer uma palavra. Para além disso, os cenários estavam incríveis, passando a imagem do que era viver na década de 60 em plena Guerra Fria.

Além do mais, a personagem de Michael Shannon está muito bem construída e representa o stress e paranóia sentida em relação ao comunismo e aos russos. Shannon é o vilão, mas um vilão que oscila entre a monstruosidade (mais do que o próprio "monstro") e momentos de fraqueza, que mostram que ele é apenas um humano. Ele é o que as circunstâncias fizeram dele, um pai de família, mas que tem de se comportar como um monstro para agradar aos seus superiores e sobreviver neste mundo. Outra personagem a ressalvar é o "velho" Giles, o solitário vizinho de Elisa. Uma das coisas que mais gostei no filme, apesar de não o ter adorado, foi o facto de cada personagem ter a sua própria história e ser independente da história principal. As personagens estão mesmo muito bem construídas, e isto foi algo de que eu gostei muito.

Não é que tenha detestado o filme, mas acho que não se enquadra nos meus gostos. Ainda tentei tirar alguma reflexão do filme, pensar no que é que tinha sentido durante o filme, mas não senti nada [à excepção de uma parte, em que senti nojo… envolve a criatura e um gato]. É uma história de amor estranha, que agradou a muita gente, incluindo a Academia, mas que eu simplesmente não consegui gostar.

Por isso, deixo-vos aqui o link dos outros dois filmes que vi este mês, e que, na minha opinião, valem muito mais a pena: Call Me By Your Name e Get Out.



*Post inserido no projecto Movie36*
A criadora do projecto é a Carolayne "Lyne" Ramos, do blogue "Imperium"
A parceira oficial é a Sofia Costa Lima, do blogue "A Sofia World"
Os restantes participantes:
Inês Vivas, "VIVUS"
Vanessa Moreira, "Make it Flower"
Joana Almeida, "Twice Joaninha"
Joana Sousa, "Jiji"
Alice Ramires, "Senta-te e Respira"
Cherry, "Life of Cherry"
Sónia Pinto, "By the Library"
Francisca Gonçalves, "Apenas Francisca"
Carina Tomaz, "Discolored Winter"
Sofia Ferreira, "Por onde anda a Sofia"
Rosana Vieira, "Automatic Destiny"
Inês Pinto, "Wallflower"
Abby, "Simplicity"

quarta-feira, 28 de março de 2018

Get Out - Movie36

Antes de mais, dizer que, em Fevereiro, não cumpri o desafio do Movie36 totalmente, visto que só vi dois filmes, quando o propósito é ver, pelo menos, três. Não sei como aconteceu, achava que estava a cumprir tudo direitinho, mas há poucos dias reparei que só tinha visto dois. As minhas desculpas. Este mês, acho que vou conseguir cumprir tudo, apesar de já ser dia 28. No início de Março, falei-vos de Call Me By Your Name, se ainda não viram, não sabem o que estão a perder!

Agora, vamos ao filme de hoje. Como sabem, os Oscars já passaram, mas eu continuo a ver os filmes nomeados. Get Out estava nomeado para melhor filme, melhor actor (Daniel Kaluuya) e melhor realizador (Jordan Peele); acabou por não ganhar nenhuma categoria, mas é um filme muito bom.

"Esta é a história de um jovem afro-americano que vai passar um fim-de-semana com a sua namorada branca à luxuosa propriedade da família desta." A namorada garante que a família é muito liberal, até "Teriam votado no Obama pela terceira vez se pudessem". No entanto, isto não é a típica história de segregação racial e do confronto "brancos vs negros". É muito mais do que isso.

Get Out é uma mistura de thriller com terror, em que o confronto racial é abordado de uma forma bastante surpreendente. Desde o início que as coisas não batem certo, que nós pensamos "isto é tudo muito estranho", o ambiente é constantemente sombrio. Vivemos um terror psicológico, que nos alerta que a história não vai acabar bem e que nos faz temer pelo protagonista.

Não é um filme que precisou de uma produção estonteante e não há interpretações brilhantes, à excepção do Daniel Kaluuya. O realizador afirmou: "Se estás à procura de um filme politicamente correcto, desiste deste" e eu não podia concordar mais. O filme inspira-se na hipocrisia e falso bem-estar que levou à ilusão de que todos "aceitamos" outras raças e não somos preconceituosos, vivida, sobretudo, na era Obama.

Eu aconselho-vos imenso a ver este filme, já que é daqueles que não deixa ninguém indiferente, fazendo-nos sair da nossa zona de conforto e do nosso mundinho e questionar-nos sobre o que nos rodeia.



*Post inserido no projecto Movie36*
A criadora do projecto é a Carolayne "Lyne" Ramos, do blogue "Imperium"
A parceira oficial é a Sofia Costa Lima, do blogue "A Sofia World"
Os restantes participantes:
Inês Vivas, "VIVUS"
Vanessa Moreira, "Make it Flower"
Joana Almeida, "Twice Joaninha"
Joana Sousa, "Jiji"
Alice Ramires, "Senta-te e Respira"
Cherry, "Life of Cherry"
Sónia Pinto, "By the Library"
Francisca Gonçalves, "Apenas Francisca"
Carina Tomaz, "Discolored Winter"
Sofia Ferreira, "Por onde anda a Sofia"
Rosana Vieira, "Automatic Destiny"
Inês Pinto, "Wallflower"
Abby, "Simplicity"

terça-feira, 27 de março de 2018

Bratislava #2

O Castelo de Bratislava, um dos ex-líbris da cidade, fica no alto de uma colina e a sua construção iniciou-se no século X. Chegar até ao Castelo não é nada fácil, visto que, como fica numa colina, tem de se subir muito para lá chegar (e é bastante puxado). No entanto, a vista compensa! Conseguimos ver a cidade toda lá de cima e, há quem diga, que dá até para ver a Áustria e a Hungria num dia límpido (através da torre). Claro que a vista seria melhor se o dia tivesse claro e o céu (e o Danúbio) azul, mas, como fui em Abril, já estava muito contentinha por não apanhar chuva.
Assim como a cidade, o Castelo também é estranho. Ao longe suscita o interesse a quem o vê (e dá para o ver de quase toda a cidade), mas quando o vemos de perto, pode-se dizer que não é nada demais. Contudo, vale a pena pela vista.



Como podem ver, o dia não estava nada bonito,
mas, pelo menos, não choveu!


Bratislava é uma cidade cheia de estátuas, que rapidamente se tornaram os pontos mais procurados e fotografados por quem visita a cidade. Um soldado de Napoleão apoiado no banco da praça, um fotógrafo paparazzi a espreitar numa esquina e um homem de cartola a fazer uma reverência são apenas alguns dos exemplos da irreverência local. Mas todos perdem em popularidade para o "Man at Work", que é, literalmente, um trabalhador em bronze a sair de uma tampa de esgoto. Há estátuas para todos os gostos e feitios, e são uma marca da cidade. 
Ao pesquisar sobre a cidade, encontrei informações que reza a lenda que o próprio Hans Christian Andersen, autor de livros infantis, considerou essa cidade um verdadeiro conto de fadas (e ele também tem a sua própria estátua em Bratislava).



Não tenha nenhuma foto desta (não sei porquê),
tive de googlar
Enquanto esperámos que fosse hora de ir embora, andámos a deambular pela cidade e descobrimos uma livraria incrível, cujo nome eu não faço ideia. Acho que ficámos por lá umas boas duas horas, mas não me lembro de ter dado pelo tempo a passar. Uma das coisas que mais gosto de fazer numa cidade é ir à procura das suas livrarias mais emblemáticas e "perder" lá um tempinho e foi exactamente o que fiz em Bratislava.


Parece que é assim que se diz Hogwarts em eslovaco...
E, pronto, o dia em Bratislava chegou ao fim! Como disse, Bratislava foi uma cidade estranha para mim, mas não é uma cidade para nunca mais voltar. Sem dúvida que merece uma segunda oportunidade, até porque não vi a famosa Blue Church. Já tenho uma boa razão para lá voltar!

Uma espécie de bússola que nos informa a
quantos quilómetros estamos de determinada cidade

sexta-feira, 23 de março de 2018

Leituras Desassossegadas #9


Prisioneiros da Geografia – Tim Marshall

«Todos os líderes mundiais enfrentam limitações geográficas. As suas decisões são condicionadas por montanhas, rios, mares e betão. Para compreender o que abala o mundo, é necessário possuir conhecimento das ideias, movimentos e povos - mas sem um conhecimento sólido de geografia, nunca conseguiremos abarcar a totalidade dos eventos.
Se alguma vez se questionou sobre a razão de Putin ter uma obsessão pela Crimeia, de a paz parecer impossível no Médio Oriente, de os EUA entrarem em tantos conflitos armados ou de o poder da China continuar a crescer em todo o mundo, irá encontrar essas e muitas outras respostas neste livro.
Em dez capítulos que cobrem Rússia, China, EUA, América Latina, Médio Oriente, África, Índia e Paquistão, Europa, Japão e Coreias e o Árctico, o autor faz uso de mapas, ensaios e da sua longa experiência de viagens pelo globo para oferecer uma perspectiva do passado, presente e futuro, ajudando-nos a descobrir como a geografia é um factor tão determinante para a história do mundo.» [contracapa]

Conforme vos disse aqui, enquanto estudante de Relações Internacionais e enquanto pessoa bastante curiosa, estou sempre à procura de livros que me ajudem a perceber como é que o nosso mundo foi sendo construído e como é que ele funciona. Este livro é uma grande ajuda para tal. 

Sinceramente, nunca ninguém (ou quase ninguém) pensa na importância (ou dá importância, sequer) da geografia. Não pensámos que o sítio onde o nosso país está situado pode ser determinante para o seu futuro, mas a verdade é que é. Por exemplo, Portugal tornou-se num dos maiores descobridores marítimos do mundo porque não tinha outra hipótese. A única maneira de chegar à Europa e a outros locais era através de Espanha e, como todos nós sabemos, a relação luso-espanhola nem sempre foi a melhor. Assim, a única solução que Portugal tinha era aventurar-se pelo oceano, já que, do outro lado, tinha como que um muro que o impedia de passar. Esta é, sem dúvida, uma das principais causas para que Portugal se tenha afirmado nos mares e oceanos.

Este livro (e outros que tenho lido) fez-me pensar na sorte que nós temos em viver em Portugal – somos um povo maioritariamente homogéneo e é por isso que (quase) não temos conflitos no nosso país. Os países africanos e do Médio Oriente são o exemplo máximo de que uma nação constituída por várias etnias ou culturas pode trazer muitos problemas, incluindo guerras civis, que acabam por causar o colapso do Estado-nação. Mas, não é preciso ir tão longe – a nossa vizinha Espanha é um país bastante heterogéneo, em que, basicamente, só Madrid é que se sente espanhol. Como vimos recentemente com a Catalunha, mas também com o País Basco, é muito complicado quando as pessoas não se sentem parte ou pertencentes ao Estado em que vivem e desejam, portanto, criar um novo. Como vêem, Portugal não tem nada disso e, apesar de termos muitos problemas, a conflitualidade étnica não é um deles.

Para além disso, o livro mostra as culpas que a colonização, por parte dos europeus, têm no colapso ou nas guerras civis de muitos países. Através da Conferência de Berlim, em que os europeus desenharam as fronteiras de África a régua e esquadro, e do Acordo Sykes-Picot, em que franceses e ingleses dividiram entre si o Médio Oriente, é que muitos dos conflitos existem nos dias de hoje. O autor declara que "muitos africanos são, hoje, prisioneiros da geografia política fabricada pelos europeus – os conflitos étnicos dentro do Sudão, da Somália, do Quénia, de Angola, da República Democrática do Congo, da Nigéria, do Mali e de outros locais são a prova de que a ideia europeia de geografia não se enquadrou na realidade da demografia africana." O mesmo acontece no Médio Oriente.
O autor constata que "a criação arbitrária de «Estados-nação» congregando pessoas que não estão habituadas a viver juntas na mesma região não é uma boa receita para gerar justiça, igualdade e estabilidade" e, sem dúvida, que isto deve ser algo que deve pesar na consciência de todos os europeus, sobretudo dos líderes políticos.

Enquanto fui lendo o livro, fui partilhando alguns factos no Twitter (podem seguir-me em @desassossegada9), e o livro começa assim: "Vladimir Putin diz-se um homem religioso, um grande apoiante da Igreja Ortodoxa russa. Assim sendo, é bem possível que, todas as noites, quando se deita, faça as suas orações e pergunte a Deus: «Porque não puseste montanhas na Ucrânia?»". Piadas à parte, o autor afirma que "A terra em que vivemos sempre nos moldou. Moldou as guerras, o poder, a política e o desenvolvimento social dos povos que, hoje, habitam quase todo o planeta. A tecnologia pode parecer ultrapassar as distâncias, tanto no espaço mental como no físico, mas é fácil esquecer que a terra onde vivemos, trabalhamos e criamos os nossos filhos tem uma importância crucial".
Se gostarem do tema, se forem curiosos e quiserem saber um bocadinho mais sobre política internacional, aconselho-vos!




domingo, 18 de março de 2018

Bratislava #1

Bratislava – se calhar, nunca ouviram falar nesta cidade, não é? É a capital da Eslováquia e situa-se ao longo do rio Danúbio, na fronteira com a Áustria e a Hungria. Foi a última cidade que visitei na viagem que fiz na Páscoa (daqui a pouco faz um ano e eu ainda aqui a falar disto) e foi A vez em que andei mais de autocarro – foram 15 horas terríveis. Só estive em Bratislava um dia, ou nem isso, visto que chegamos por volta das 9h e saímos de lá por volta das 16h/17h. A cidade é bastante pequena, e, na minha opinião, um dia chega perfeitamente para a visitar.

Não vos vou mentir, achei Bratislava uma cidade estranha. Fui lá na Segunda-feira de Páscoa e, não sei se foi por isso ou não, mas, da parte da manhã, a cidade estava completamente deserta. Parecia que tinha acabado de passar por uma grande tempestade ou por uma guerra. Nós andávamos, andávamos, e não víamos ninguém. De vez em quando, víamos uma ou duas pessoas, mas eram sempre turistas, como nós. No entanto, Bratislava é uma cidade com muita história -  já foi parte de vários reinos, impérios e principados, tendo mesmo sido a capital da monarquia dos Habsburgos durante três séculos.

Não tenho muito a dizer-vos sobre Bratislava, mas, ainda assim, vou aqui contar-vos como foi a minha passagem por esta cidade.
Então, começámos a nossa visita no Grassalkovich Palace, a residência do Presidente da Eslováquia. Foi construído em 1760 em homenagem ao aristocrata húngaro Antal Grassalkovich, vassalo de Maria Theresa, a única mulher a assumir o trono dos Habsburgos.



Depois, um local de referência: a torre e a porta Miguel. O portão é o único portão da cidade que resistiu do tempo das muralhas medievais e está entre os edifícios mais antigos de Bratislava. Nos tempos medievais, a cidade estava cercada por muros fortificados, e a entrada e a saída só eram possíveis através de um dos quatro portões bastante robustecidos.

St. Michael's Tower à espreita


As muralhas datam do final do século XVI, se não estou em erro, mas na Era Moderna, perderam a sua importância e, pela ordem da imperatriz Maria Theresa, em 1775, grande parte das muralhas foi demolida e a cidade foi integrada em subúrbios.


Na parte mais antiga, encontramos a antiga Câmara da cidade [Old Town Hall] - é a Câmara mais antiga do país e é um dos mais antigos edifícios de pedra que ainda existe em Bratislava, tendo a torre sido construída aproximadamente em 1370. 





Na próxima publicação vou falar-vos de um dos ex-líbris e de uma coisa muito característica de Bratislava. Fiquem atentos! 

quarta-feira, 14 de março de 2018

La Casa de Papel

A série do momento. Confesso que, antes de começar a ver série, não tinha intenções de falar dela aqui no blogue. Já toda a gente falava dela, as redes sociais estavam cheias de referências a esta série e eu não queria ser mais uma. Mas, meus amigos, vou ter de falar. Se ainda não viram esta série, agendem o próximo fim-de-semana só para La Casa de Papel. Vale tanto a pena. Tanto. 

Se vocês são como eu, e têm sempre dúvidas em ver séries que estão a ser demasiado faladas, parem já com isso e vão ver! A sério, que série incrível. Todo o hype à volta da série é justificado, na minha opinião.

La Casa De Papel conta a história de "8 habilidosos ladrões que se trancam na Casa da Moeda de Espanha com o ambicioso plano de realizar o maior roubo da história e levar com eles mais de 2,4 mil milhões de euros. Para isso, os assaltantes precisam de saber lidar com as dezenas de pessoas que mantêm como reféns, para além da polícia, que farão de tudo para que o plano dos criminosos não resulte."

Senti muita tensão ao ver esta série. Fez-me lembrar a segunda temporada de Narcos, em que eu sofria (e muito) pelo Pablo Escobar. Não sei se já repararam, mas a Netflix está, aos poucos, a mostrar que o ser humano tem tendência a apoiar os "maus" – primeiro, foi com House of Cards, depois Narcos (aquie agora La Casa de Papel. Em qualquer uma destas séries, dei por mim a torcer pelos vilões, quase a rezar para que eles nunca fossem apanhados. A série é tão boa e inteligente que até nos faz questionar sobre o nosso próprio carácter, já que é impossível torcer para que o roubo não dê certo.

A série é muito bem elaborada e inteligente, o elenco é incrível, o Profesor é brilhante (é capaz de ser a única personagem de todas as séries capaz de competir com a inteligência do Michael Scofield) e uma pessoa fica viciada logo no primeiro episódio. Há personagens que vocês vão odiar desde o início, personagens que vos vão surpreender muito, para o bem e para o mal, personagens que vocês tanto amam como odeiam. A banda sonora também é muito boa, passando desde fado até à música que mais tenho ouvido nos últimos tempos e que acompanhou uma das cenas mais emblemáticas da série.

A Netflix dividiu a mini série original em duas temporadas sendo que a primeira temporada é constituída por 13 episódios e a segunda (estreia a 6 de Abril!!) contará com mais 6 episódios, por isso ainda vão muito a tempo de ver. Corram, pessoas, corram (não literalmente, claro, que correr cansa)!!



Termino com «OH BELLA CIAO, BELLA CIAO, BELLA CIAO CIAO CIAO» (os que já viram vão entender)

quinta-feira, 8 de março de 2018

Call Me By Your Name - Movie36

Finalmente, consegui arranjar disponibilidade mental para escrever sobre este filme. Call Me By Your Name é dos filmes mais bonitos que vi nos últimos tempos. Não querendo criar demasiadas expectativas, é um filme incrível. In-crí-vel!

"Verão de 1983, norte de Itália. Elio Perlman (Timothée Chalamet), um precoce rapaz italo-americano de 17 anos, passa as férias na casa de família, uma mansão do século XVII, a transcrever e tocar música, a ler e a nadar. Elio tem uma relação próxima com o seu pai (Michael Stuhlbarg), um famoso professor especializado em cultura greco-romana, e a sua mãe Annella (Amira Casar), tradutora. Apesar da sua educação sofisticada e talento natural, Elio continua a ser bastante inocente, principalmente em assuntos do coração. Um dia, recebe a visita de um aluno americano, Oliver, que será o novo assistente do seu pai. No meio do cenário deslumbrante, Elio e Oliver vão se aproximando um do outro, o que mudará para sempre as suas vidas." (retirado daqui)

Bem, para já, o filme passa-se em Itália, o que é logo motivo para despertar a vossa atenção. Se não é, redefinam as vossas prioridades. A cidade é encantadora e a casa dos pais do Elio é linda, linda, linda, tem uma biblioteca enorme e um jardim absolutamente extraordinário e eu quero muito viver lá [só preciso de 1,7 milhões de euros… alguém quer dar uma ajudinha?]. A família do Elio é multi-cultural, onde se fala inglês, francês e italiano, o que concede uma dinâmica diferente ao filme. Como amante da língua italiana, o meu coração palpitava sempre que ouvia esta maravilhosa língua.

Uma das coisas que eu mais gostei neste filme é que não há dramas. A homossexualidade é respeitada, assim como seria se se tratasse de uma relação heterossexual – são duas coisas completamente normais. O que está aqui em causa, ou seja, a importância dada é ao amor e à descoberta do mesmo, e não à sexualidade em si. Ao longo do filme, vemos o amadurecimento das personagens, principalmente de Elio, e nunca, nunca há uma novela mexicana. Trata-se de amor, só de amor. O que, parecendo que não, é extremamente difícil de retratar.

O diálogo [ou monólogo] final do Elio com o pai é das coisas mais belas e mais duras, que vai deixar uma marca em todas as pessoas que virem o filme "com olhos de ver". Já vi algumas pessoas a reproduzirem nos seus blogues o diálogo, no entanto, eu vou optar por não o fazer, porque quero mesmo que quando virem o filme tenham o "choque" e que percebam mesmo o significado das palavras. Não vos vai deixar indiferentes.

Para além disso, a banda sonora do filme é tão, mas tão boa [anda em repeat desde que vi o filme], a cinematografia é lindíssima e o Timothée Chalamet tem uma prestação incrível [a cena final é arrebatadora e ainda ecoa na minha cabeça], e tenho a certeza que vamos ouvir falar muito dele nos próximos anos.

Para concluir, não fazia ideia que o filme era baseado no livro com o mesmo nome, de André Aciman. Não preciso de dizer que quero muito ler este livro, não é? Normalmente, nunca leio os livros depois de já ter visto o filme, tento sempre ler o livro primeiro e só depois ver o filme, mas neste caso não deu. Assim, terei de abrir uma pequena excepção à minha regra de "books before movies" [uma espécie de bros before hoes, mas que não teve muita graça… desculpem]

Cada pessoa tem o seu critério para considerar o que é um bom filme. Para mim, um dos pontos principais é não me deixar indiferente. E este filme não me deixou indiferente. Andou a ecoar na minha cabeça durante dias, o diálogo, a casa, a cena final, a vontade de viver um amor assim. Como disse no início, só agora consegui sentar-me e escrever sobre o filme, apesar de já o ter visto há mais de uma semana. Call Me By Your Name marcou-me muito e, sem dúvida, que entrou na lista dos meus filmes preferidos.

"Call me by your name and I'll call you by mine." 



*Post inserido no projecto Movie36*
A criadora do projecto é a Carolayne "Lyne" Ramos, do blogue "Imperium"
A parceira oficial é a Sofia Costa Lima, do blogue "A Sofia World"
Os restantes participantes:
Inês Vivas, "VIVUS"
Vanessa Moreira, "Make it Flower"
Joana Almeida, "Twice Joaninha"
Joana Sousa, "Jiji"
Alice Ramires, "Senta-te e Respira"
Cherry, "Life of Cherry"
Sónia Pinto, "By the Library"
Francisca Gonçalves, "Apenas Francisca"
Carina Tomaz, "Discolored Winter"
Sofia Ferreira, "Por onde anda a Sofia"
Rosana Vieira, "Automatic Destiny"
Inês Pinto, "Wallflower"
Abby, "Simplicity"

Leituras Desassossegadas #25

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