segunda-feira, 30 de abril de 2018

Avengers: Infinity War - Movie36

Fui hoje ao cinema ver Avengers: Infinity War e, Meu Deus do Céu, QUE FILME!! 

Como fã assumidíssima da Marvel e de super-heróis, este era o filme que eu mais esperava para ver este ano. Antes demais, este não é só um filme, não é só mais um filme - foram dez anos até chegar aqui, desde a estreia do primeiro Iron Man. Todos os caminhos, todos os filmes, levavam a este momento. E o momento finalmente chegou. O momento em que quase todas as personagens do MCU [Marvel Cinematic Universe] se juntam para combater o vilão mais forte de que há memória.

Não sei bem explicar-vos como é que a minha paixão por super-heróis, e, consequentemente, pela Marvel, surgiu. Ninguém da minha família é considerado geek, por isso, nunca tive referências a este mundo. Mas, um dia, quando devia ter uns 12 anos, estava a passar o Spider-Man, o primeiro, aquele ainda com o Tobey Maguire, na televisão e eu fiquei imediatamente apaixonada. Depois veio o primeiro Iron Man, depois o segundo, o terceiro, comecei a ver as séries - que também são excelentes (Agent Carter vai estar sempre no meu coração) - e quando dei por mim já sabia muita coisa sobre o Mundo Marvel. E já estava tão dentro deste mundo, e tão apaixonada por ele, que já não dava para voltar para trás.

Já aqui vos falei de algumas séries de super-heróis - Iron Fist e The Defenders -, mas, hoje, e como reflexão do mês de Abril para o Movie36, quero falar (ou escrever) sobre o mundo dos super-heróis cinematográficos e aquilo que eles representam.

Para mim, um super-herói é mais do que apenas a força física, aquele que é capaz de derrotar tudo e todos através do físico. Para mim, um super-herói é alguém como o Iron Man, ou melhor, como o Tony Stark. Muitas vezes, ou quase sempre, apelidado de egocêntrico, narcisista, convencido, na minha opinião, foi a personagem do MCU que mais evoluiu. É verdade, o Tony é convencido e acha-se um génio (e não o é?), mas nunca escondeu de ninguém os seus defeitos, Afinal, ele é, apenas e só, um ser-humano. Tem as suas falhas, tem muitas falhas, mas, como ninguém, assume que as tem e luta para defender a humanidade e tentar preservar o que ainda há de humano em nós. Por ser tão narcisista, ele faz o que quer, quando quer e não funciona sob regras ou ordens. No entanto, dá bastante valor à liberdade individual, à sua e à dos outros, e age sempre em conformidade com o bem maior. Como disse, para mim, é a personagem que mais evolui, e se forem ver agora o segundo Iron Man, Tony Stark é uma pessoa completamente diferente - para melhor, claro. Bem, já viram que eu podia escrever uma dissertação sobre ele. Adiante.

Os super-heróis cinematográficos são pessoas que lutam não só pela preservação da humanidade e da Terra tal como a conhecemos, mas também pelos seus princípios e crenças de que devemos combater o mal, não deixando que ele se entranhe na nossa pele, de tal maneira que ficaríamos já habituados a essa estranha forma de vida. Se pensarem nisso, o Iron Man, Capitão América, Spider-Man, a Viúva Negra, o Doctor Strange, e todos os outros, lutam para que o mal não triunfe, seja esse mal os nazis, e a Hydra, ou o super-vilão mais poderoso da história, Thanos. 

Este mundo de super-heróis já não é só para crianças - aliás, acho que, nos dias que correm, até interessam mais a adultos do que às crianças. Os super-heróis vão passando de geração em geração, transmitindo valores de natureza moralista, como o auto-sacrifício, a inter-ajuda, a importância de nos dedicarmos a algo nobre e importante e que os valores morais são benéficos. A maioria dos super-heróis tem uma origem humana e humilde, o que nos permite sonhar com a possibilidade de nos tornarmos alguém extraordinário. Para além disso, não são seres perfeitos, todos tem as suas falhas, e mostram que não há nada de errado em falhar e em cometer erros - o Tony é perito em cometer erros e, nem por isso, é menos super-herói que os outros. 

Para concluir, mesmo que não sejam fãs de super-heróis, aconselho-vos imenso a ver este filme! É uma obra-de-arte que, sem dúvida, vale a pena ver. E que venha 2019 e a segunda parte de Avengers: Infinity War


*Post inserido no projecto Movie36*
A criadora do projecto é a Carolayne "Lyne" Ramos, do blogue "Imperium"
A parceira oficial é a Sofia Costa Lima, do blogue "A Sofia World"
Os restantes participantes:
Inês Vivas, "VIVUS"
Vanessa Moreira, "Make it Flower"
Joana Almeida, "Twice Joaninha"
Joana Sousa, "Jiji"
Alice Ramires, "Senta-te e Respira"
Cherry, "Life of Cherry"
Sónia Pinto, "By the Library"
Francisca Gonçalves, "Apenas Francisca"
Carina Tomaz, "Discolored Winter"
Sofia Ferreira, "Por onde anda a Sofia"
Rosana Vieira, "Automatic Destiny"
Inês Pinto, "Wallflower"
Abby, "Simplicity"

sábado, 28 de abril de 2018

Youth - Movie36

Depois de vos ter falado de Darkest Hour, hoje chegou a ver de Youth - "Fred e Mick, dois velhos amigos com quase 80 anos de idade, passam férias num luxuoso hotel. Fred é um compositor e maestro aposentado e Mick é um cineasta em actividade. Juntos, passam as férias a recordar-se das suas paixões da infância e juventude. Enquanto Mick luta para finalizar o roteiro daquele que ele acha que será o seu último grande filme, Fred não tem a mínima vontade de voltar à música. Entretanto, muita coisa pode mudar." Estreou em 2015, realizado por Paolo Sorrentino e protagonizado por Michael Caine e Harvey Keitel.

Que filme, senhores, que filme! Duas horas mergulhadas em filosofias do envelhecimento, dia-a-dia de um hotel situado num sítio deslumbrante, humor e ironia subtis e actuações soberbas. A melancolia, a dicotomia envelhecimento/juventude, a morte são elementos constantes, levando-nos a pensar sobre estes temas, quase encarnando a pele das personagens.

A banda sonora e as paisagens são excelentes, as personagens são excêntricas e misteriosas e a velhice é retratada de uma forma filosófica e, simultaneamente, prática. Há vários tipos de personagem – um casal de idosos que janta sempre em silêncio e que parece rodeado de mágoa, um antigo atleta que agora está obeso, a Miss Universo, uma massagista silenciosa, uma prostituta deprimida, um miúdo canhoto, jovens aspirantes a cineastas e, principalmente, um actor – e todas elas são parte fundamental da história.

Este filme é como que um poema, que decorre lentamente e de uma beleza tal, que a única coisa que nós, enquanto espectadores, podemos fazer é aproveitar. Como já me queixei aqui quando falei de Lady Bird, o cinema actual é cada vez mais banal e quase que feroz, em oposição ao cinema lento, pausado, que retrata o simples quotidiano de uma forma que nos deixa maravilhados. Por isso, aplaudo sempre este tipo de filmes. Este é, simplesmente, deslumbrante. 


*Post inserido no projecto Movie36*
A criadora do projecto é a Carolayne "Lyne" Ramos, do blogue "Imperium"
A parceira oficial é a Sofia Costa Lima, do blogue "A Sofia World"
Os restantes participantes:
Inês Vivas, "VIVUS"
Vanessa Moreira, "Make it Flower"
Joana Almeida, "Twice Joaninha"
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quinta-feira, 26 de abril de 2018

As séries que ando a ver #2

Vocês sabem que eu gosto muito de ver séries, vejo muitas algumas, e vou-vos falando das que vejo aqui no blogue. Algumas merecem uma publicação só para elas, como foi o caso do fenómeno recente La Casa de Papel, outras são agregadas numa só publicação. Em Fevereiro, falei-vos das séries que andava a ver na altura (aqui) e, como entretanto já ando a ver outras, vou aqui falar-vos delas.

New Girl (ou Jesse e os Rapazes) conta a história de "Jess, uma excêntrica e estranha rapariga, na casa dos 20, que depois de uma complicada e hilariante separação com o namorado decide dividir casa com mais três rapazes solteiros, mudando assim a vida de cada um deles da forma mais inesperada." Esta série é uma série de comédia, a sétima temporada estreou agora e, se ainda não viram esta série, digo-vos que vale muito a pena! Com sete temporadas, vamos vendo a evolução das personagens e sentimo-nos, até, parte daquela família. Gosto muito desta série, mesmo! Para além disso, os episódios são de 20 minutos, ideais para aqueles dias em que temos pouco tempo para ver séries e queremos ver uma coisa rápida. 


Scandal – "Olivia Pope, a ex-consultora de comunicações da presidência, dedica a sua vida a proteger a imagem pública da elite da nação e a garantir que os seus segredos nunca venham à tona. Após deixar a Casa Branca, ela abre a sua própria empresa na esperança de iniciar um novo capítulo na sua vida, tanto profissional quanto pessoal. Entretanto, ela parece não conseguir cortar completamente os laços com seu passado..." Confesso que só comecei a ver esta série depois de saber que ia haver um crossover com How To Get Away With Murder (aqui), mas foi uma bela surpresa. Ainda não vi o episódio conjunto, mas acho que vai ser incrível! Pelo menos, juntar Annalise Keating e Olivia Pope só pode dar bom resultado. Não é das melhores séries do mundo, mas vale a pena.


Finalmente, temos uma série portuguesa aqui no blogue! Já acompanhei algumas séries portuguesas (recentes, Morangos com Açúcar não conta), mas nenhuma delas me entusiasmou tanto com 1986. "A segunda volta das eleições presidenciais decide-se na mais intensa e renhida das lutas do pós-25 de Abril: de um lado, Mário Soares; do outro, Freitas do Amaral. Ambos os candidatos investem tudo numa das mais delirantes e mediáticas campanhas eleitorais da História. O duelo contamina tudo: pais, filhos, professores, o seu dia a dia e até a clássica busca de todos pelo amor. No meio deste turbilhão, acompanhamos a mais inesperada história de Romeu e Julieta: Tiago, jovem tímido, filho de um comunista ferrenho que terá de engolir o sapo de votar Soares, apaixona-se por Marta, idealista candidata a astronauta, filha de um empresário de videoclubes que organiza festas para Freitas. Como irá Tiago conseguir levar a cabo o malabarismo de manter o seu amor por Marta sem desiludir o pai e como lidarão os pais de Marta com a paixão da filha por um filho de comunistas?" Dá as terças-feiras na RTP1, mas, se não quiserem seguir o horário da televisão, podem ver na RTP Play. Aconselho mesmo!  


Suits conta a história de "Mike Ross, um rapaz que abandonou a faculdade de Direito, mas, brilhante como é, consegue uma entrevista com o respeitado Harvey Specter, um dos melhores advogados de Manhattan. Quando percebe o talento nato e a memória fotográfica de Mike, Harvey contrata-o e, juntos, eles formam uma dupla imbatível. Mesmo sendo um génio, Mike ainda tem muito a aprender sobre o Direito. E mesmo sendo um advogado tão competente, Harvey irá aprender com sua nova dupla a ver seus clientes de outra maneira." Eu gosto tanto, mas tanto desta série! Apesar de parecer ser a típica série de televisão estadunidense, não se deixem levar pelos preconceitos. Tem personagens incríveis (especialmente, a Donna!), tem momentos de comédia, momentos de muita emoção. Está, actualmente, na sétima temporada e a futura princesa de Inglaterra (Meghan Markle) é (era) uma das personagens principais.


segunda-feira, 23 de abril de 2018

Dia Mundial do Livro

Hoje, dia 23 de Abril, comemora-se o Dia Mundial do Livro. Como tal, a Sofia desafiou a blogo a escrever sobre livros. Claro que eu não podia recusar!

A minha relação com a leitura já existe há muitos anos, para aí desde o 5º ano em que descobri o maravilhoso mundo dos livros, mas já passou por muitos altos e baixos. Houve aí uma fase em que eu, não sei porquê, simplesmente deixei de ler. Não me apetecia. Não tinha curiosidade. Não queria. Até que num verão perdido no tempo, uma tia veio a minha casa com um caixote cheio de livros. Fiquei maravilhada! Ela tinha trazido aqueles livros para mim, para me emprestar, e disse "leva o tempo que precisares!". Acho que foi aqui que o meu amor pelos livros voltou a despertar e ficarei sempre grata àquela minha tia. 

Os temas são:

o livro que tenho há mais tempo
Deve ter sido o primeiro livro que li, este ou o Diário de Anne Frank. Um livro clássico da infância de toda a gente, acho eu, e que conta a história de um aristocrata inglês que faz uma aposta arrojada com os membros do seu clube em como dará a volta ao mundo em 80 dias. 

o livro que tenho há menos tempo
Desde que a série "The Handmaid's Tale" estreou, e tive conhecimento que era baseada num livro, que queria muito ler este livro (e antes de ver a série, de preferência). Numa ida à Fnac, no início do mês, trouxe-o comigo e devorei-o numa semana. Falei dele aqui.

o livro que li mais vezes
Para mim, a escolha óbvia. Apesar de não ter lido a saga Harry Potter na minha infância, como quase todas as pessoas da minha idade, é a minha saga preferida. O primeiro livro é sempre especial, porque é o começo de tudo, o início da história. É sempre bom voltar aos livros onde fomos felizes. E a saga Harry Potter é um desses livros.

o livro que emprestei e não voltei a ver
A dor na minha alma de cada vez que penso neste livro é imensa. É dos meus livros preferidos, dos livros que mais quero reler, mas que emprestei e não voltei a ver. É triste. Enfim, paz à sua alma... 

o livro que já devia ter lido
Quero imenso ler este livro, pelas mais variadas razões: é do Saramago, envolve Ricardo Reis (que, apesar de ser não ser o meu heterónimo preferido, continuo a gostar muito dele) e, por último, já muitas pessoas disseram que é o seu livro preferido do Saramago - o meu livro preferido do Saramago e de todo o sempre é o Ensaio Sobre a Cegueira -, por isso, por tudo isto tenho muita curiosidade e muito receio em relação a este livro, tamanhas as (minhas) expectativas. Estou a arranjar coragem. 

o livro com mais valor sentimental
Esta foi uma escolha difícil, mas optei por escolher Os Irmãos Karamazov, porque é uma edição antiga e porque esta história me acompanhou numa época difícil. É dos meus livros preferidos. 

o livro que foi uma autêntica pechincha literária

















Custam os dois 15€ cada um e comprei-os numa das campanhas da Bertrand, por menos de 5€, cada um. Nesta campanha, comprei 4 livros por 20€ - uma autêntica pechincha. Estou, actualmente, a ler o do Vladimir Nabokov - o famoso escritor de Lolita. 

A blogosfera uniou-se para falar sobre livros neste dia tão especial. Blogues que estão a participar: 

sábado, 21 de abril de 2018

Leituras Desassossegadas #12

A história de uma Serva, Margaret Atwood

«Extremistas cristãos de direita derrubaram o governo norte-americano e queimaram a Constituição. A América é agora Gileade, um estado policial e fundamentalista onde as mulheres férteis, conhecidas como Servas, são obrigadas a conceber filhos para a elite estéril.
Defred é uma Serva na República de Gileade e acaba de ser transferida para a casa do enigmático Comandante e da sua ciumenta mulher. Pode ir uma vez por dia aos mercados, cujas tabuletas agora são imagens, porque as mulheres estão proibidas de ler. Tem de rezar para que o Comandante a engravide, já que, numa época de grande decréscimo do número de nascimentos, o valor de Defred reside na sua fertilidade, e o fracasso significa o exílio nas Colónias, perigosamente poluídas. Defred lembra-se de um tempo, antes de perder tudo, incluindo o nome, em que vivia com o marido e a filha e tinha um emprego. Essas memórias misturam-se agora com ideias perigosas de rebelião e amor.» [sinopse]

Começo por dizer que tive de me controlar bastante para não acabar o livro no mesmo dia em que o comecei a ler. Consegui controlar-me, mais ou menos, vá, já que o li numa semana.

A História de uma Serva é um livro fenomenal, que me marcou imenso. Conforme está escrito na capa, este livro é uma distopia, em que as mulheres são "úteros andantes" (palavras da narradora), e em que, por lei, a palavra estéril não existe, os homens não são estéreis – "existem apenas mulheres fecundas e mulheres infecundas". As servas, a mulher comum, não têm livre-arbítrio ou individualismo. Não há esperança ou alegria para elas, apenas uma subjugação perpétua.

Ultimamente, ando numa fase de ler distopias e, para mim, o melhor tipo de ficção distópica é aquele que me convence que esse mundo pode acontecer. A História de uma Serva é daqueles livros que fica connosco, assombrando os nossos pensamentos, muito tempo depois de acabar o livro. Quero pensar que o que acontece neste mundo nunca poderia acontecer, que é impossível, mas, infelizmente, tenho pouca fé na humanidade. Espero que nunca cheguemos a este extremo.

Gostaria de escrever mais sobre este livro, mas ainda estou tão presa a ele, a Defred e à sua história, que não consigo dizer muito mais. Para mim, é daqueles livros que todas as pessoas deviam ler.

Deixo-vos, por isso, algumas citações:
"Há vários tipos de liberdade, dizia a Tia Lydia. Liberdade para e liberdade de. Nos dias da anarquia, era liberdade para. Agora, dão-nos liberdade de. Não a subestimem."

"Lamento que haja tanta dor nesta história. Lamento que esteja em fragmentos, como um corpo apanhado num fogo cruzado ou desmontado à força. Mas não posso fazer nada para mudar isso.
Tentei adicionar também algumas coisas boas. Flores, por exemplo, porque onde estaríamos nós sem elas?"

"Nenhum de nós diz a palavra amor, nem uma única vez. Seria tentar o destino; seria romance, daria azar."

É um livro assustador e, ao mesmo tempo, poderoso.

Nolite te bastardes carborundorum

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Darkest Hour - Movie36

Ainda na saga de ver os filmes nomeados para os Oscars deste ano, vi, no passado fim-de-semana, o Darkest Hour. "Com a Grã-Bretanha à beira de perder a guerra para a Alemanha, Winston Churchill sofre pressão para fazer um acordo com Hitler para estabelecer o estado como parte do território do Terceiro Reich, mas resiste à pressão." Estava nomeado para 6 categorias, incluindo a de Melhor Filme, mas apenas venceu a categoria de Melhor Actor – muito merecido, já que o Gary Oldman estava absolutamente extraordinário.

Conforme vos disse quando falei de Dunkirk, gosto muito de ver filmes sobre a Segunda Guerra Mundial, e este período foi rico em pessoas com uma personalidade forte, que decidiram o destino do mundo. Winston Churchill é capaz de ser a figura política que eu mais admiro, pela sua personalidade, perseverança e uma certa rebeldia na luta contra os nazis. Grande parte do poder de Churchill estava não só na sua figura um pouco assustadora [o próprio Rei George VI, no filme, admite que Churchill o assustava], mas, principalmente, na palavra e na sua oratória. Churchill, antes de ser Primeiro-Ministro, foi correspondente de guerra e escreveu alguns livros sobre as suas experiências, e sempre se deu bem com as palavras. Alia-se o dom da escrita ao dom da oratória e temos "o maior britânico de todos os tempos", segundo a BBC.

No livro que estou a ler agora [As grandes personagens da História], Churchill é mencionado desta forma: "Na memória colectiva europeia, a imagem de Churchill está associada à Segunda Guerra Mundial. Com mais precisão, ao período de um ano que decorreu de Julho de 1940 a Julho de 1941, quando se encontrava à frente do Governo do único país da Europa que se mantinha de pé depois de ter declarado guerra ao Terceiro Reich. Foram estes meses de resistência heróica perante a potência militar que arrasava o continente que elevaram Churchill da categoria de político à de símbolo colectivo da luta contra o fascismo, a violência e a insanidade."

É um filme biográfico, mas não no sentido tradicional, já que não mostra toda a vida de Churchill, mas sim um momento específico que marcou a sua vida, o Reino Unido, a Europa e a Segunda Guerra Mundial. Não é o típico filme de História aborrecido, muito pelo contrário, é bastante dinâmico e interessante. Claramente que não é 100% exacto do ponto de vista histórico, senão seria um documentário, e não um filme. No entanto, vale muito a pena verem, seja para conhecerem melhor a figura de Churchill e aquele período da sua vida, seja para relembrarem uma velha figura que marcou muito a história da Europa.

A cena do metro é absolutamente extraordinária, e acho que muitos políticos dos dias de hoje deviam ver este filme, não só para aprenderem um bocadinho mais com Churchill, mas também para perceberem que, às vezes, é importante parar e escutar o que é o que povo tem para dizer e, sem dúvida, não ter medo de estar no meio das suas gentes.

Churchill sendo um orador tão talentoso, o que não falta no filme são citações que todos devíamos guardar. Para além do famoso discurso que já reproduzi aqui quando falei de Dunkirk, deixo-vos duas das minhas citações preferidas:

«Will you stop interrupting me while I am interrupting you!»

«Those who never change their mind never change anything.»


*Post inserido no projecto Movie36*
A criadora do projecto é a Carolayne "Lyne" Ramos, do blogue "Imperium"
A parceira oficial é a Sofia Costa Lima, do blogue "A Sofia World"
Os restantes participantes:
Inês Vivas, "VIVUS"
Vanessa Moreira, "Make it Flower"
Joana Almeida, "Twice Joaninha"
Joana Sousa, "Jiji"
Alice Ramires, "Senta-te e Respira"
Cherry, "Life of Cherry"
Sónia Pinto, "By the Library"
Francisca Gonçalves, "Apenas Francisca"
Carina Tomaz, "Discolored Winter"
Sofia Ferreira, "Por onde anda a Sofia"
Rosana Vieira, "Automatic Destiny"
Inês Pinto, "Wallflower"
Abby, "Simplicity

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Berlim #3

O terceiro dia foi mais para relaxar e aproveitar para me despedir da cidade. A manhã foi ocupada com o Museum für Naturkunde, um museu de história natural. O museu abriga mais de 30 milhões de espécies, entre as quais as zoológicas, paleontológicas e mineralógicas e é famoso por duas exposições mundialmente reconhecidas: o maior esqueleto de dinossauro montado no mundo, o Giraffatitan, e por uma espécie extraordinariamente preservada da primeira ave conhecida, a Archaeopteryx lithographica. Fundado em 1810, é o maior museu de história natural na Alemanha. E, claro, que a minha exposição favorita foi a dos dinossauros. Foi o único museu que visitei em Berlim e vale totalmente a pena!

A estação de metro que vai dar ao museu... INCRÍVEL!



Nada assustador o bicho...
Conforme vos disse, no meu último dia de Berlim, esteve bastante sol e temperaturas amenas. Nós aproveitamos para relaxar no James Simon Park, um parque atrás da Berliner Dom. Sentámo-nos numa esplanada virada para o rio, a ver os barcos (e o tempo) a passar. Soube-me pela vida e, às vezes, quando o stress aperta, só me apetece voltar para lá, levar com aquele solinho na cara e aproveitar o bom tempo e a cidade. Um dos meus locais preferidos em Berlim!



A última praça que visitámos em Berlim foi a Alexander Platz, a praça mais conhecida da cidade. Da praça já conseguimos ver o Berliner Fernsehturm (Torre da Televisão), inaugurada em 1969. É o ponto mais alto da cidade, com 365 metros de altura, sendo mais alta que a Torre Eiffel e a 2º maior da Europa. Possui uma visão 360º da cidade e um restaurante giratório, cuja volta demora cerca de 20 minutos.


Vimos, ainda, a Câmara Municipal de Berlim, conhecida como Rotes Rathaus.


A cidade inteira é muito moderna e cheia de cultura, arte, criatividade e com uma atmosfera vibrante! Estive 3 dias em Berlim, mas ainda ficou muito, muito para ver. Sem dúvida que é uma cidade para regressar!


Kennedy, em 1963, afirmou: "Ich bin ein Berliner". Saí da cidade, também, a sentir-me berlinense. Recomendo, recomendo, recomendo!

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Leituras Desassossegadas #11

Alerta Vermelho – Bill Browder

«Alerta Vermelho é uma história real e impressionante que revela o lado mais atroz do regime de Vladimir Putin. Fraude, corrupção, chantagem, perseguição, extorsão e tortura são termos que surgem recorrentemente neste livro corajoso, explosivo e revelador, que denuncia os segredos mais obscuros do poder russo.
Bill Browder, CEO da Hermitage Capital, uma das empresas de fundos de investimento mais bem-sucedidas do mundo, foi o maior investidor estrangeiro na Rússia até 2005, altura em que foi subitamente proibido de entrar no país. Em Novembro de 2009, Sergei Magnitsky, o advogado que representava Browder no processo contra o governo russo, foi isolado numa cela gelada de uma prisão de Moscovo, algemado e espancado até à morte por oito agentes policiais. O seu crime? Ter testemunhado contra os funcionários do Ministério da Administração Interna da Rússia, envolvidos no roubo de 230 milhões de dólares pagos em impostos pela Hermitage.
Apesar de todas as provas e factos apresentados contra as autoridades russas, até agora o caso não foi investigado e os responsáveis por esta morte brutal continuam impunes.
Inconformado, Bill Browder denuncia e expõe em Alerta Vermelho o retrato de um governo russo criminoso e sem escrúpulos, e as estreitas ligações de Vladimir Putin com as oligarquias corruptas.» [sinopse]

Este livro chamou-me a atenção logo pela capa e pela contracapa, e especialmente pelo "como em tornei o inimigo nº1 de Putin", e prendeu-me desde a primeira página. Browder começa por contar a sua história de vida, desde o facto de ser neto de um dos mais importantes líderes do Partido Comunista dos EUA até ter sido dos primeiros investidores a descobrir que a Europa de Leste dava muito dinheiro. Conta-nos a sua vida, profissional e pessoal, até chegar ao momento em que tudo mudou: quando decidiu investir na Rússia.

Ao longo do livro, vamos percebendo a realidade russa, a importância das oligarquias, a presença da corrupção em todos os sectores públicos, a forma como a lei não significa absolutamente nada. A certa altura, Browder afirma que "a Rússia não era um Estado de direito; era só um Estado de homens. E esses homens eram bandidos." Acho que esta frase é a que melhor descreve este livro e a intenção do autor em publicá-lo: mostrar ao mundo a corrupção, o crime e a violência na Rússia do século XXI.

Browder torna-se um activista dos direitos humanos, sobretudo em defesa do seu amigo e advogado, Sergei, que morreu às mãos de oito agentes policiais, depois de meses de sofrimento em celas nas mais variadas prisões de Moscovo. Depois de muita luta, Browder e a sua equipa conseguiram que fosse aprovada a "Lei Magnitsky" nos EUA, uma lei que impõe interdições de vistos e congelamento de activos a funcionários públicos envolvidos na morte de Magnitsky. Esta lei é um passo importantíssimo na defesa dos direitos humanos e Browder está a tentar expandi-la ao máximo pelo mundo, sendo o seu próximo passo fazê-la passar no Parlamento Europeu.

Quase no final do livro, Browder deixa uma mensagem a todas as pessoas que o leram. Vou aqui reproduzi-la:
«Tenho de admitir que há fortes possibilidades de Putin ou membros do seu regime conseguirem matar-me um dia. Como qualquer outra pessoa, eu não quero morrer e não faço tenções de os deixar matarem-me. Não posso dar a conhecer a maioria das medidas que tomo para me manter em segurança, mas vou mencionar uma: este livro.
Se eu for assassinado, saberão quem o fez. Quando os meus inimigos lerem este livro, eles saberão que vocês conhecem a verdade. Por isso, se simpatizam com esta busca por justiça, ou com o destino trágico do Sergei, por favor partilhem esta história com o máximo de pessoas que puderem. Esse simples ato manterá o espírito do Sergei Magnitsky vivo e fará mais pela minha segurança do que qualquer exército de guarda-costas.»

Recomendo imenso este livro! Se o lerem, e também gostarem, façam como Bill Browder pede e partilhem a história do Sergei Magnitsky com o máximo de pessoas que conseguirem! 



sexta-feira, 13 de abril de 2018

Berlim #2

A manhã do segundo dia foi passada na East Side Gallery. Acreditem que é bem preciso uma manhã, se quiserem mesmo ver todas as obras pintadas. O Muro tem mais de 100 obras pintadas com extensão de 1,3 quilómetros, nas margens do Rio Spree, e foi a forma encontrada para dar um novo significado ao Muro de Berlim, após a reunificação alemã.

O Muro de Berlim, desde há uns anos, tem grades a proteger as obras, já que, infelizmente, muita gente aproveitava para "vandalizar" o Muro. Não fica tão bonito, é verdade, mas é para preservar a arte.






No final, ou no início (depende de onde começarem), está a Oberbaumbrücke, uma ponte bastante bonita e diferente de todas as outras que percorrem os muitos canais de Berlim (que são todas muito "normais"). 


Regressando ao centro da cidade, fomos até ao Museum Island, área que é considerada património cultural mundial pela UNESCO e que alberga 5 grandes museus: Altes Museum (Museu Antigo); Neues Museum (Museu Novo); Alte Nationalgalerie (Galeria Nacional Antiga); Bodemuseum (Museu Bode) e Pergamonmuseum (Museu Pergamon). Não visitei nenhum deles, mas dizem que este último vale bastante a pena.




Na Ilha dos Museus, encontramos, também, a Berliner Dom, construída entre 1895 e 1905. Assim como a maioria dos monumentos em Berlim, foi bombardeada durante a guerra e depois restaurada. Debaixo da igreja há uma cripta com quase 100 túmulos de religiosos e personalidades históricas.




Passámos, ainda, pelo Bradenburg Gate e acabámos o dia no jardim do Parlamento. Apesar de, durante o dia ter estado nublado, no final da tarde o sol brilhava. Sentámo-nos nos jardins do Parlamento e ficámos a simplesmente a descansar.

E o segundo dia em Berlim chegou ao fim. Wait for the third one! 


Leituras Desassossegadas #25

3 semanas. 4 livros. Todos inseridos no desafio Book Bingo Leituras ao Sol . Já escrevi sobre um deles - V ozes de Chernobyl  - e hoje venh...