quarta-feira, 4 de abril de 2018

Leituras Desassossegadas #10

O Voluntário de Auschwitz – Capitão Witold Pilecki

«Setembro de 1940: consciente do elevadíssimo risco, Witold Pilecki avança deliberadamente até uma batida feita pelas forças nazis em Varsóvia… e torna-se o prisioneiros nº 4859 de Auschwitz. Pilecki acabara de se voluntariar para uma missão secreta – e potencialmente suicida – do Armia Krajowa, o Exército do Estado polaco clandestino, resistente à ditadura soviética e à invasão alemã: obter e divulgar informações sobre este novo campo de concentração, e criar uma organização de resistência entre os prisioneiros.
Sobrevivendo a muito custo a quase três anos de fome, doença e brutalidade, Pilecki foi bem-sucedido na sua missão, evadindo-se de Auschwitz numa audaciosa fuga em Abril de 1943. Os seus relatórios, recebidos pelos Aliados, desde o início de 1941, foram das primeiras informações que o mundo conheceu sobre a crueldade e os verdadeiros horrores que se viviam em Auschwitz, convencendo os Aliados de que o Holocausto estava em execução.
O Voluntário de Auschwitz é o relatório mais extenso do capitão Witold Pilecki, completado em 1945, no exílio. Escondido pela ditadura comunista na Polónia durante mais de 40 anos, este documento único na história e na literatura sobre Auschwitz, a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto é agora publicado pela primeira vez em português.»  [contracapa]

O capitão Witold Pilecki é, ainda, um desconhecido para muitos. Confesso que antes de ler este livro, não fazia ideia de que alguém se tinha voluntariado para ir para Auschwitz. Segundo se sabe, ele foi mesmo a única pessoa que foi para o campo de concentração de livre vontade. É um pouco chocante como um dos grandes heróis da Segunda Guerra é desconhecido. No entanto, este livro pode ajudar a tornar o Capitão Pilecki um pouco mais conhecido por todo o mundo, assim espero.

É um livro brutal (não no sentido que as pessoas usam nos dias de hoje), um livro cru que retrata a vida de Pilecki durante três anos às mãos de bárbaros. A escrita é muito simples e fácil de ler, visto que inicialmente estes textos foram concebidos como relatórios militares. Simples e concisos. Apesar de ser uma escrita simples, não é, de todo, um livro fácil de ler. Pilecki descreve o dia-a-dia em Auschwitz, a fome, a morte, a tortura, todos os horrores vividos.

É, também, chocante perceber que, apesar dos inúmeros relatórios enviados por Pilecki ao Exército Clandestino Polaco e, depois, aos Aliados, não resultou nunca numa investida para salvar aquelas milhares de pessoas que todos os dias lutavam por "mais um dia". É horrível pensar que aqueles homens e aquelas mulheres estavam completamente sozinhos. Ninguém no "mundo real" os quis ajudar.

Como sabem, há imensos livros sobre Auschwitz e todos os outros campos de concentração, sobre os horrores impostos pelos nazis durante a Segunda Guerra Mundial, mas eu aconselho imenso este livro. É, sem dúvida, um dos melhores livros que já li sobre o Holocausto. O que aconteceu em Auschwitz e a coragem de Witold Pilecki não devem ser esquecidos nunca.

"na viagem de regresso, passávamos por jovens namorados a passear, inspirando a beleza do tempo primaveril, e mulheres a empurrar tranquilamente os carrinhos de bebé – então, surgia esse pensamento intranquilo que girava na nossa cabeça, rodando incessantemente, procurando com teimosia a resposta à questão insolúvel:
Seríamos nós… pessoas? Homens e mulheres?
Os que passeavam entre as flores e aqueles que se dirigiam para as câmaras de gás?
Aqueles que marchavam continuamente ao nosso lado com as suas baionetas… e nós, os condenados?" 





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