sábado, 21 de abril de 2018

Leituras Desassossegadas #12

A história de uma Serva, Margaret Atwood

«Extremistas cristãos de direita derrubaram o governo norte-americano e queimaram a Constituição. A América é agora Gileade, um estado policial e fundamentalista onde as mulheres férteis, conhecidas como Servas, são obrigadas a conceber filhos para a elite estéril.
Defred é uma Serva na República de Gileade e acaba de ser transferida para a casa do enigmático Comandante e da sua ciumenta mulher. Pode ir uma vez por dia aos mercados, cujas tabuletas agora são imagens, porque as mulheres estão proibidas de ler. Tem de rezar para que o Comandante a engravide, já que, numa época de grande decréscimo do número de nascimentos, o valor de Defred reside na sua fertilidade, e o fracasso significa o exílio nas Colónias, perigosamente poluídas. Defred lembra-se de um tempo, antes de perder tudo, incluindo o nome, em que vivia com o marido e a filha e tinha um emprego. Essas memórias misturam-se agora com ideias perigosas de rebelião e amor.» [sinopse]

Começo por dizer que tive de me controlar bastante para não acabar o livro no mesmo dia em que o comecei a ler. Consegui controlar-me, mais ou menos, vá, já que o li numa semana.

A História de uma Serva é um livro fenomenal, que me marcou imenso. Conforme está escrito na capa, este livro é uma distopia, em que as mulheres são "úteros andantes" (palavras da narradora), e em que, por lei, a palavra estéril não existe, os homens não são estéreis – "existem apenas mulheres fecundas e mulheres infecundas". As servas, a mulher comum, não têm livre-arbítrio ou individualismo. Não há esperança ou alegria para elas, apenas uma subjugação perpétua.

Ultimamente, ando numa fase de ler distopias e, para mim, o melhor tipo de ficção distópica é aquele que me convence que esse mundo pode acontecer. A História de uma Serva é daqueles livros que fica connosco, assombrando os nossos pensamentos, muito tempo depois de acabar o livro. Quero pensar que o que acontece neste mundo nunca poderia acontecer, que é impossível, mas, infelizmente, tenho pouca fé na humanidade. Espero que nunca cheguemos a este extremo.

Gostaria de escrever mais sobre este livro, mas ainda estou tão presa a ele, a Defred e à sua história, que não consigo dizer muito mais. Para mim, é daqueles livros que todas as pessoas deviam ler.

Deixo-vos, por isso, algumas citações:
"Há vários tipos de liberdade, dizia a Tia Lydia. Liberdade para e liberdade de. Nos dias da anarquia, era liberdade para. Agora, dão-nos liberdade de. Não a subestimem."

"Lamento que haja tanta dor nesta história. Lamento que esteja em fragmentos, como um corpo apanhado num fogo cruzado ou desmontado à força. Mas não posso fazer nada para mudar isso.
Tentei adicionar também algumas coisas boas. Flores, por exemplo, porque onde estaríamos nós sem elas?"

"Nenhum de nós diz a palavra amor, nem uma única vez. Seria tentar o destino; seria romance, daria azar."

É um livro assustador e, ao mesmo tempo, poderoso.

Nolite te bastardes carborundorum

1 comentário:

  1. Fiquei muito curiosa..
    Beijinhos,
    http://chicana.blogs.sapo.pt/

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