segunda-feira, 4 de junho de 2018

Leituras Desassossegadas #15

Stoner – John Williams


«O Stoner do título é o protagonista deste romance – um obscuro professor de literatura, que até ao dia da sua morte dá aulas numa universidade do interior. A sua vida, brevemente descrita nos dois primeiros parágrafos do romance, oferece um triste obituário. O que se segue, numa prosa precisa, despojada, quase cruel, é uma sucessão de fracassos de uma personagem que perde quase tudo – menos a entrega incondicional à literatura.
O romance foi publicado em 1965 e caiu no esquecimento – tal como o seu autor, John Williams, também ele um obscuro professor universitário. Passados quase 50 anos, porém, o mesmo cego amor à literatura, que movia a personagem principal, levou a que a escritora francesa Anna Gavalda traduzisse o livro perdido. Outras edições se seguiram, em vários países da Europa. Até que, em 2013, os leitores da livraria britânica Waterstones escolheram Stoner como o melhor livro do ano – ignorando obras acabadas de publicar.
Julian Barnes, Ian McEwan, Bret Easton Ellis e muitos outros escritores juntaram-se ao coro e resgataram a obra nas páginas dos jornais. Com a aclamação crítica, mais premente se tornou a interrogação: porque é que um romance tão exigente renasce das cinzas e se torna num espontâneo sucesso comercial em diferentes latitudes?
Na era da hipercomunicação, Stoner devolve-nos o sentido de intimidade, deixa-nos a sós com aquele homem tristonho, de vida apagada. Fechamos a porta e partilhamos com ele o empolgamento literário; sabendo, tal como ele, que nos restará sempre o consolo da literatura.»

Uma história que supostamente não tem nada de especial, visto que acompanhamos a vida pacata, simples e aparentemente insignificante de Stoner, desde a sua infância até à sua morte. No entanto, se leram bem a sinopse, percebem que não é bem assim. A construção da personagem principal é tão perfeita, tão real, que nos faz acreditar que este professor, de facto, existiu e viveu.

É um livro simples, mas tão belo. Mostra como somos profundamente influenciados pela forma como fomos educados e em como as pessoas à nossa volta moldam a nossa personalidade e a nossa vida. Faz-nos pensar em nós mesmos e em quanto a nossa vida é tão insignificante quanto a de Stoner e, ao mesmo tempo, mostra quão bela é a vida humana.

Vi este comentário no Goodreads, e acho que resume na perfeição este livro: "it reminds us that ordinary people who live ordinary lives can have a beautiful story to tell too". Recomendo!

"Sometimes, immersed in his books, there would come to him the awareness of all that he did not know, of all that he had not read; and the serenity for which he labored was shattered as he realized the little time he had in life to read so much, to learn what he had to know."


A Quinta dos Animais – George Orwell

«Esta nova tradução de Animal Farm recupera o título original, contrariamente às edições anteriores, que adoptaram os títulos panfletários O Porco Triunfante e - o mais conhecido - O Triunfo dos Porcos. 
À primeira vista, este livro situa-se na linhagem dos contos de Esopo, de La Fontaine e de outros que nos encantaram a infância. Tal como os seus predecessores, Orwell escreveu uma fábula, uma história personificada por animais. Mas há nesta fábula algo de inquietante. Classicamente, atribuir aos animais os defeitos e os ridículos dos humanos, se servia para censurar a sociedade, servia igualmente para nos tranquilizar, pois ficavam colocados à distância, «no tempo em que os animais falavam», os vícios de todos nós e as suas funestas consequências. Em A Quinta dos Animais o enredo inverte-se. É a fábula merecida por uma época - a nossa época - em que são os homens e as mulheres a comportarem-se como animais.»

1984 é dos meus livros preferidos de sempre, daqueles que acho mesmo que todas as pessoas deviam ler e, desta forma, qualquer livro escrito por George Orwell desperta em mim bastante curiosidade! A Quinta dos Animais é um livro bastante pequeninho, lê-se num par de horas, por isso, é ideal para aquelas pessoas que dizem que "não têm paciência para ler". O livro é uma alegoria ao que aconteceu na Rússia no início do século XX, que culminou na implantação do regime estalinista: o Sr. Reis, o dono da quinta, representa o Czar; o Major, que planta as ideias revolucionárias, representa Karl Marx e Lenine; e os porcos Bola-de-Neve e Napoleão representam Trotsky e Estaline. Incentivados pelas palavras de Major, os animais revoltam-se e expulsam todos os humanos da quinta. Depois disso, vemos o Animalismo a ser posto em prática. Mais não vos digo, leiam este livro que vale bem a pena!

É uma história política e social, ao estilo de Orwell e completamente intemporal. George Orwell era (é) mesmo um génio!


"Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros"

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