domingo, 17 de junho de 2018

Leituras Desassossegadas #16

A Cidade e as Serras, Eça de Queirós

«A Cidade as Serras, romance publicado um ano após a morte do autor, teve como ponto de partida o conto A Civilização. Como o próprio título sugere, Eça faz uma comparação entre a vida agitada de Paris com a pacatez da vila de Tormes. Zé Fernandes, o narrador, vai contando as peripécias do cosmopolita Jacinto, que depois de ter vivido na cidade-luz, regressa a Tormes, a sua terra natal.
Nesta obra, escrita já na fase final da sua vida, Eça de Queirós afasta-se do realismo e abandona a crítica feroz à sociedade portuguesa de então que o caracterizou.»

Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o Ensino Secundário e acho que é uma das leituras "obrigatórias" no 11º ou 12º ano. Comprei-o nessa altura, para ler para Português, mas lembro-me que peguei nele, li as primeiras páginas, pousei-o e nunca mais o voltei a ver. Até agora.

Quando, no 11º ano, tive de ler Os Maias, percebi que a minha relação com o Sr. Eça ia ser (bastante) complicada. Foi o livro que demorei mais tempo a ler, acho que demorei uns bons meses, e lembro-me que foi com muita dificuldade e persistência que finalmente o acabei. Não me interpretem mal, acho que é um livro extremamente inovador para a época em que foi escrito e que descreve muito bem a sociedade portuguesa da altura. O problema, para mim, é que descreve demasiado. Quem leu este livro, ou o deu nas aulas, sabe bem a complicação que é passar as primeiras dezenas de páginas, com a lentíssima descrição do Ramalhete. Bom, adiante. Por ter tido esta experiência com Os Maias, estava bastante reticente quanto a este A Cidade e as Serras. Mas convenci-me de que já estava há demasiado tempo na minha estante à espera e de que merecia uma (segunda) oportunidade. E que o iria ler, custasse o que custasse.

Tenho-vos a dizer que a minha relação com o Eça não melhorou em nada. Assim como n’Os Maias, há algumas coisas de que gostei, mas, em geral, a descrição maciça de tudo o quanto é coisa aborreceu-me imenso. Para terem noção demorei quase quatro semanas a ler, quando, normalmente, demoro uns 3 dias a ler livros desta dimensão.

Contudo, ultimamente ando numa fase de valorizar muito mais o campo do que a cidade. Toda a minha vida vivi no campo, até ter ido para a universidade e ter ficado a viver na cidade, vindo só a casa aos fins-de-semana. Na minha adolescência, preferia a cidade ao campo, já que no campo não se fazia nada, para ir à cidade precisava de apanhar mil e um transportes e demorava imenso.  Mas, agora, aprendi a apreciar a beleza do campo. O sossego. A tranquilidade. O poder estar sentada no jardim a ler um livro ao som dos passarinhos, sem ser constantemente interrompida por buzinas ou por alguém que decide mandar um berro no meio da rua. Ai, a paz que se vive no campo. 
Isto tudo para dizer que me revi na atitude de Jacinto, em que para ele, no início, a Civilização é que era fenomenal e que, no entanto, acabou por encontrar a felicidade no campo. Por isso, gostei muito mais da segunda parte, em que Eça descreve a bela aldeia de Tormes, do que da primeira, com a aborrecida descrição de Paris e da Civilização.

Se gostarem de Eça de Queirós, recomendo. Senão, recomendo também, que sou daquelas que acredita que todos os livros devem ter a sua oportunidade. Se gostarem da temática, força nisso!


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