VOX,
Christina Dalcher
«Estados Unidos da América. Um país orgulhoso de ser a
pátria da liberdade e que faz disso bandeira. É por isso que tantas mulheres,
como a Dra. Jean McClellan, nunca acreditaram que essas liberdades lhes
pudessem ser retiradas. Nem as palavras dos políticos nem os avisos dos
críticos as preparavam para isso. Pensavam: «Não. Isso aqui não pode
acontecer.»
Mas aconteceu. Os americanos foram às urnas e escolheram
um demagogo. Um homem que, à frente do governo, decretou que as mulheres não
podem dizer mais do que 100 palavras por dia. Até as crianças. Até a filha de
Jean, Sonia. Cada palavra a mais é recompensada com um choque eléctrico,
cortesia de uma pulseira obrigatória.
E isto é apenas o início.»
Bem, este era dos livros que eu mais queria ler nos
últimos tempos e é também dos livros mais polémicos: muitas pessoas adoraram,
outras detestaram. A premissa é muito, muito boa; no entanto, na minha opinião,
a concretização não foi assim tão boa. A autora tinha uma ideia excelente e
acabou por a desperdiçar.
VOX faz lembrar (e
muito!) A História de uma Serva e a autora até usa a expressão "útero
andante", numa clara cópia da expressão da Margaret Atwood. Há também uma cena
no supermercado, que também envolve laranjas, muito parecida com uma cena de A
História de uma Serva.
Enfim, a semelhança é muita, já que também é uma distopia
em que as mulheres perdem os seus direitos. Conforme afirmei, a ideia inicial é
excelente… o desenvolvimento da história é que não convence. Não consegui
sentir o medo e o terror que, por exemplo, senti em A História de uma Serva
e penso que isso se deveu, também, à forma apressada como a história é contada
e acabada.
Contudo, e acima de tudo, esta é uma história de alerta. A
mensagem que passa é que isto – as mulheres só poderem dizer 100 palavras por
dia, ou pior – pode muito bem acontecer num futuro próximo. Se o livro nos
fizer pensar – a nós, mulheres, e a nós sociedade, - já é uma leitura que vale
a pena.
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"Pensa no que precisas de
fazer para continuares livre.
Fazer mais do que absolutamente
nada teria sido um bom ponto de partida."
"Talvez tenha sido
isto o que aconteceu na Alemanha com os nazis, na Bósnia com os Sérvios, no
Ruanda com os Hutus. Tenho pensado nisso com frequência. Na forma como as
crianças podem transformar-se em monstros; na forma como podem aprender que
matar é aceitável e que a opressão é justa; na forma como, numa única geração,
o mundo pode desviar-se do eixo, tornando-se num sítio irreconhecível."
"- Há uma resistência?
– a palavra parece-me doce quando a articulo.
- Querida, há sempre
uma resistência. Não andou na universidade?"
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