quarta-feira, 10 de julho de 2019

Leituras Desassossegadas #53

Equador, Miguel Sousa Tavares

«Quando naquela manhã chuvosa de Dezembro de 1905, Luís Bernardo é chamado por El-Rei D. Carlos a Vila Viçosa, não imaginava o que o futuro lhe reservava. Não sabia que teria de trocar a sua vida despreocupada na sociedade cosmopolita de Lisboa por uma missão tão patriótica quanto arriscada na distante ilha de S. Tomé. Não esperava que o cargo de governador e a defesa da dignidade dos trabalhadores das roças o lançassem numa rede de conflitos e interesses com a metrópole. E não contava que a descoberta do amor lhe viesse mudar a vida.
Equador é um retrato brilhante da sociedade portuguesa nos últimos dias da Monarquia, que traça um paralelo entre os serões mundanos da capital e o ambiente duro e retrógrado das colónias.
É com esta história admirável, comovente e perturbadora, que Miguel Sousa Tavares inaugura a sua incursão no romance.»

Tenho sentimentos contraditórios em relação a Equador. Por um lado, acho que está extremamente bem-escrito, as descrições de Vila Viçosa e S. Tomé – uma no inverno, outra no verão – fizeram-me sonhar com estes locais e a história em si é promissora: um branco que quer acabar com o trabalho escravo nas roças de S. Tomé.
No entanto, não me revi muito na atitude do protagonista. Claro que sou contra a escravatura, não é essa a questão, mas penso que Luís Bernardo não fez nada enquanto Governador – nem acabou com a escravatura, nem deu suporte aos colonos. Parecia um tolo no meio da ponte.

A missão de Luís Bernardo não se adivinhava fácil (afinal, teria de destruir séculos e séculos da presunção branca); contudo, foi-nos apresentado um protagonista inteligente, com ideias humanistas e pronto para enfrentar a teimosia de quem ficou atrasado no tempo. Resumindo, tudo indicava que seria o homem certo para este cargo.
Na minha opinião, não foi isto que sucedeu. Por razões que não vou contar, senão contaria a história, o nosso Governador perde-se por caminhos bastante sinuosos e, muitas vezes, ainda pensa que não fez nada de errado. Gostei mais de algumas personagens secundárias do que propriamente do protagonista.

No entanto, uma das razões porque gostei muito deste livro foi o final, que é completamente surpreendente, e não estava mesmo nada à espera do que aconteceu, apesar de o autor ter dado algumas pistas logo no início do livro. Em geral, é um bom livro, dei-lhe 4 estrelas no Goodreads (podem adicionar-me), e é uma boa leitura de Verão.

Volto a afirmar que se quiserem comprar Equador, ou outro livro que tenham interesse, podem usar o meu link de afiliada da Bertrand. Não pagam mais por isso, e ajudam aqui este cantinho.

Equador foi a minha escolha para a categoria "um livro com capa em tons de azul" do Book Bingo Leituras ao Sol.

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