domingo, 17 de junho de 2018

Leituras Desassossegadas #16

A Cidade e as Serras, Eça de Queirós

«A Cidade as Serras, romance publicado um ano após a morte do autor, teve como ponto de partida o conto A Civilização. Como o próprio título sugere, Eça faz uma comparação entre a vida agitada de Paris com a pacatez da vila de Tormes. Zé Fernandes, o narrador, vai contando as peripécias do cosmopolita Jacinto, que depois de ter vivido na cidade-luz, regressa a Tormes, a sua terra natal.
Nesta obra, escrita já na fase final da sua vida, Eça de Queirós afasta-se do realismo e abandona a crítica feroz à sociedade portuguesa de então que o caracterizou.»

Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o Ensino Secundário e acho que é uma das leituras "obrigatórias" no 11º ou 12º ano. Comprei-o nessa altura, para ler para Português, mas lembro-me que peguei nele, li as primeiras páginas, pousei-o e nunca mais o voltei a ver. Até agora.

Quando, no 11º ano, tive de ler Os Maias, percebi que a minha relação com o Sr. Eça ia ser (bastante) complicada. Foi o livro que demorei mais tempo a ler, acho que demorei uns bons meses, e lembro-me que foi com muita dificuldade e persistência que finalmente o acabei. Não me interpretem mal, acho que é um livro extremamente inovador para a época em que foi escrito e que descreve muito bem a sociedade portuguesa da altura. O problema, para mim, é que descreve demasiado. Quem leu este livro, ou o deu nas aulas, sabe bem a complicação que é passar as primeiras dezenas de páginas, com a lentíssima descrição do Ramalhete. Bom, adiante. Por ter tido esta experiência com Os Maias, estava bastante reticente quanto a este A Cidade e as Serras. Mas convenci-me de que já estava há demasiado tempo na minha estante à espera e de que merecia uma (segunda) oportunidade. E que o iria ler, custasse o que custasse.

Tenho-vos a dizer que a minha relação com o Eça não melhorou em nada. Assim como n’Os Maias, há algumas coisas de que gostei, mas, em geral, a descrição maciça de tudo o quanto é coisa aborreceu-me imenso. Para terem noção demorei quase quatro semanas a ler, quando, normalmente, demoro uns 3 dias a ler livros desta dimensão.

Contudo, ultimamente ando numa fase de valorizar muito mais o campo do que a cidade. Toda a minha vida vivi no campo, até ter ido para a universidade e ter ficado a viver na cidade, vindo só a casa aos fins-de-semana. Na minha adolescência, preferia a cidade ao campo, já que no campo não se fazia nada, para ir à cidade precisava de apanhar mil e um transportes e demorava imenso.  Mas, agora, aprendi a apreciar a beleza do campo. O sossego. A tranquilidade. O poder estar sentada no jardim a ler um livro ao som dos passarinhos, sem ser constantemente interrompida por buzinas ou por alguém que decide mandar um berro no meio da rua. Ai, a paz que se vive no campo. 
Isto tudo para dizer que me revi na atitude de Jacinto, em que para ele, no início, a Civilização é que era fenomenal e que, no entanto, acabou por encontrar a felicidade no campo. Por isso, gostei muito mais da segunda parte, em que Eça descreve a bela aldeia de Tormes, do que da primeira, com a aborrecida descrição de Paris e da Civilização.

Se gostarem de Eça de Queirós, recomendo. Senão, recomendo também, que sou daquelas que acredita que todos os livros devem ter a sua oportunidade. Se gostarem da temática, força nisso!


terça-feira, 12 de junho de 2018

Séries de 20 minutos que valem a pena

Hoje, venho falar-vos de… séries!! Não estavam nada à espera, pois não? Nem sequer é um tema recorrente aqui no blogue… Bom, vamos lá falar escrever sobre séries que tenham episódios de duração de 20 minutos.

Normalmente estas séries de 20 minutos são de comédia e eu gosto de ver estes episódios quando tenho outras coisas para fazer, mas tenho mesmo muita vontade de ver uma série (que é sempre!). O que acontece é que nunca vejo só um episódio, acabando, por vezes, por perder mais tempo do que se só tivesse visto um episódio mais longo, de 40 minutos ou mesmo uma hora. Mas adiante! Passemos às escolhidas: 

Sex and the city – "Quatro mulheres solteiras, bonitas e confiantes de Nova Iorque são melhores amigas e partilham entre si os segredos das suas conturbadas vidas amorosas. Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) é uma colunista e narra a história. Miranda Hobbes (Cynthia Nixon) é uma advogada determinada, que deseja sucesso na carreira e na vida amorosa. Charlotte York (Kristin Davis) é uma comerciante de arte vinda de uma família rica que é insegura sobre si mesma. E Samantha Jones (Kim Cattrall) é uma loira fatal que está sempre à procura de um bom partido."
Toda a gente conhece esta série, é a Bíblia das mulheres, e claro que tinha de fazer parte desta lista! No ar de 1998 a 2004, tem 6 temporadas e foi das primeiras séries que eu vi.


The Big Bang Theory – "Leonard (Johnny Galecki) e Sheldon (Jim Parsons) são dois brilhantes físicos que dividem o mesmo apartamento. As suas vidas complicam-se quando uma belíssima jovem, Penny (Kaley Cuoco), muda-se para o apartamento do lado. Acompanhamos a vida dos dois físicos, juntamente com os seus amigos e colegas de trabalho e também cientistas, Wolowitz (Simon Helberg) e Koothrappali (Kunal Nayyar) e vemos como Penny pode influenciar as suas vidas."
Estreou em 2007 e está, actualmente, na 11ª temporada. Das séries mais conhecidas de sempre, toda a gente já ouviu falar, pelo menos, do Sheldon e é das boas comédias. Para além disso, aconselho Young Sheldon, de que já falei aqui.


Baby Daddy – "A vida do jovem Ben (Jean-Luc Bilodeau) muda radicalmente quando a sua ex-namorada abandona a filha, que ele nem sabia que existia, na sua porta. Ele decide criar a bebé com a ajuda do irmão Danny (Derek Theler), da mãe Bonnie (Melissa Peterman) e dos seus dois melhores amigos Tucker (Tahj Mowry) e Riley (Chelsea Kane)."
Esta é das minhas séries favoritas de comédia, sem dúvida! Esteve no ar de 2012 até 2017 () e tem 6 temporadas. Vale muito, muito a pena!


The End Of The F***ing World – "James (Alex Lawther) ainda não sabe, mas a sua vida está prestes a mudar com a chegada de uma rapariga nova no seu colégio. Assim como ele, a novata Alyssa (Jessica Barden) também tem problemas em relacionar-se com outras pessoas e está muito melhor sozinha. Aos olhos alheios, são apenas dois adolescentes estranhos, para eles, trata-se da parceria perfeita."
Estreou em 2017, e ainda não se sabe se terá uma segunda temporada. Preparem-se para esta série, é só o que eu vos digo! É linda, linda, linda. Muito diferente daquelas típicas séries de adolescentes, às vezes estranha e perturbadora, outras vezes muito querida… recomendo.


New Girl – "Zooey Deschanel é Jess, uma excêntrica e estranha rapariga, na casa dos 20, que, depois de uma complicada e hilariante separação com o namorado, decide dividir casa com mais três rapazes solteiros, mudando assim a vida de cada um deles da forma mais inesperada."
Quando vos falei aqui da série, ela ainda estava no ar, mas infelizmente, esta temporada foi a última.  Estreou em 2011, tem 7 temporadas e é excelente, mesmo! A par de Baby Daddy, também foi, sem dúvida, das melhores séries de comédia que já vi.


Friends – "Rachel (Jennifer Aniston), Mónica (Courteney Cox), Phoebe (Lisa Kudrow), Ross (David Schwimmer), Chandler (Matthew Perry) e Joey (Matt LeBlanc) formam um grupo de seis amigos que lutam para se sobressair e progredir na competitiva vida de Manhattan. O humor inteligente e apoio mútuo incondicional fazem com que a sua amizade seja cada vez mais forte, superando assim todos os obstáculos que a vida lhes apresenta. Trabalho, família, responsabilidade, dinheiro, sexo, compromisso e, sobretudo, amor e amizade, são alguns dos temas que preocupam"
Comecei a ver a série há duas semanas, e só me apetece hibernar para poder ver tudo de uma vez!! Claro que já tinha ouvido falar muito de Friends, mas nunca me tinha dado o clique para ver. Ah, que estúpida que fui! Esta série é tão incrível que não sei como é que vivi 20 anos da minha vida sem ela. Estou demasiado apaixonada!! No ar desde 1994 até 2004, tem 10 temporadas e, se são como eu e nunca viram a série, parem já tudo o que estão a fazer, metam férias e deliciem-se com esta bela série!


Falei-vos aqui de séries que eu já vi ou estou a ver, mas se conhecerem séries destas recentes, ou seja, que estejam a sair actual e semanalmente, eu agradecia! Venham de lá essas recomendações! 

domingo, 10 de junho de 2018

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

«As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram.» 
(Os Lusíadas, Canto I)

«Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!» 
(A Mensagem, O Infante) 

Dois dos poemas mais conhecidos pelos portugueses e que mais enaltecem e descrevem o que é isto de alma portuguesa. Feliz 10 de Junho a todos!


segunda-feira, 4 de junho de 2018

Leituras Desassossegadas #15

Stoner – John Williams


«O Stoner do título é o protagonista deste romance – um obscuro professor de literatura, que até ao dia da sua morte dá aulas numa universidade do interior. A sua vida, brevemente descrita nos dois primeiros parágrafos do romance, oferece um triste obituário. O que se segue, numa prosa precisa, despojada, quase cruel, é uma sucessão de fracassos de uma personagem que perde quase tudo – menos a entrega incondicional à literatura.
O romance foi publicado em 1965 e caiu no esquecimento – tal como o seu autor, John Williams, também ele um obscuro professor universitário. Passados quase 50 anos, porém, o mesmo cego amor à literatura, que movia a personagem principal, levou a que a escritora francesa Anna Gavalda traduzisse o livro perdido. Outras edições se seguiram, em vários países da Europa. Até que, em 2013, os leitores da livraria britânica Waterstones escolheram Stoner como o melhor livro do ano – ignorando obras acabadas de publicar.
Julian Barnes, Ian McEwan, Bret Easton Ellis e muitos outros escritores juntaram-se ao coro e resgataram a obra nas páginas dos jornais. Com a aclamação crítica, mais premente se tornou a interrogação: porque é que um romance tão exigente renasce das cinzas e se torna num espontâneo sucesso comercial em diferentes latitudes?
Na era da hipercomunicação, Stoner devolve-nos o sentido de intimidade, deixa-nos a sós com aquele homem tristonho, de vida apagada. Fechamos a porta e partilhamos com ele o empolgamento literário; sabendo, tal como ele, que nos restará sempre o consolo da literatura.»

Uma história que supostamente não tem nada de especial, visto que acompanhamos a vida pacata, simples e aparentemente insignificante de Stoner, desde a sua infância até à sua morte. No entanto, se leram bem a sinopse, percebem que não é bem assim. A construção da personagem principal é tão perfeita, tão real, que nos faz acreditar que este professor, de facto, existiu e viveu.

É um livro simples, mas tão belo. Mostra como somos profundamente influenciados pela forma como fomos educados e em como as pessoas à nossa volta moldam a nossa personalidade e a nossa vida. Faz-nos pensar em nós mesmos e em quanto a nossa vida é tão insignificante quanto a de Stoner e, ao mesmo tempo, mostra quão bela é a vida humana.

Vi este comentário no Goodreads, e acho que resume na perfeição este livro: "it reminds us that ordinary people who live ordinary lives can have a beautiful story to tell too". Recomendo!

"Sometimes, immersed in his books, there would come to him the awareness of all that he did not know, of all that he had not read; and the serenity for which he labored was shattered as he realized the little time he had in life to read so much, to learn what he had to know."


A Quinta dos Animais – George Orwell

«Esta nova tradução de Animal Farm recupera o título original, contrariamente às edições anteriores, que adoptaram os títulos panfletários O Porco Triunfante e - o mais conhecido - O Triunfo dos Porcos. 
À primeira vista, este livro situa-se na linhagem dos contos de Esopo, de La Fontaine e de outros que nos encantaram a infância. Tal como os seus predecessores, Orwell escreveu uma fábula, uma história personificada por animais. Mas há nesta fábula algo de inquietante. Classicamente, atribuir aos animais os defeitos e os ridículos dos humanos, se servia para censurar a sociedade, servia igualmente para nos tranquilizar, pois ficavam colocados à distância, «no tempo em que os animais falavam», os vícios de todos nós e as suas funestas consequências. Em A Quinta dos Animais o enredo inverte-se. É a fábula merecida por uma época - a nossa época - em que são os homens e as mulheres a comportarem-se como animais.»

1984 é dos meus livros preferidos de sempre, daqueles que acho mesmo que todas as pessoas deviam ler e, desta forma, qualquer livro escrito por George Orwell desperta em mim bastante curiosidade! A Quinta dos Animais é um livro bastante pequeninho, lê-se num par de horas, por isso, é ideal para aquelas pessoas que dizem que "não têm paciência para ler". O livro é uma alegoria ao que aconteceu na Rússia no início do século XX, que culminou na implantação do regime estalinista: o Sr. Reis, o dono da quinta, representa o Czar; o Major, que planta as ideias revolucionárias, representa Karl Marx e Lenine; e os porcos Bola-de-Neve e Napoleão representam Trotsky e Estaline. Incentivados pelas palavras de Major, os animais revoltam-se e expulsam todos os humanos da quinta. Depois disso, vemos o Animalismo a ser posto em prática. Mais não vos digo, leiam este livro que vale bem a pena!

É uma história política e social, ao estilo de Orwell e completamente intemporal. George Orwell era (é) mesmo um génio!


"Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros"

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Movie 36 - Maio

Ao contrário dos meses anteriores em que fiz uma publicação por filme, este mês optei por agregar todos numa – não só porque vi muitos, devo ter batido o meu recorde, como também dediquei pouco tempo ao blogue este mês por causa da universidade. Assim, em Maio, vi, sobretudo, comédias que estavam a passar na televisão e vi quase tudo no início do mês, já que agora estou aqui aflita com as frequências e os trabalhos.

Role Models: "Danny (Paul Rudd) e Wheeler (Seann William Scott), dois vendedores na casa dos trinta, destroem uma carrinha da empresa num acesso de loucura durante uma "bebedeira" de bebidas energéticas. Quando são detidos, o juiz dá-lhes a oportunidade de escolher entre uma pena de prisão ou cumprir 150 horas de serviço comunitário num programa de mentores. Aceitam a segunda hipótese e Danny fica encarregue de Augie, um geek apaixonado por torneiros medievais, enquanto Wheeler tem a seu cargo Ronnie, um miúdo hiper-malcriado..."
Sendo eu uma pessoa um bocado esquisita com as comédias, já que para mim este tipo de filmes tem MESMO de ter piada, posso-vos dizer que este foi dos melhores filmes de comédia que já vi! Possivelmente, este não era o típico filme que eu escolheria para ver, mas apanhei-o na televisão, fiquei a ver e valeu bem a pena!


The hitman’s bodyguard: "O maior assassino profissional do mundo decidiu sair da sombra e testemunhar contra o seu antigo patrão no Tribunal Internacional de Justiça em Haia. No entanto, este não foi um patrão qualquer, mas sim um corrupto e mortífero ex-Presidente de um país de Leste, que tem ao seu dispor um enorme exército de mercenários capazes de tudo para impedir que a testemunha apareça no julgamento. Para se defender, este ex-assassino contrata o mais famoso guarda-costas do mundo, e juntos terão de pôr de lado as suas diferenças e cooperar para conseguirem chegar a tempo ao julgamento."
Eu tinha tantas expectativas para este filme, especialmente porque os actores são o Ryan Reynolds e o Samuel L. Jackson e eu adoro os dois. Para além disso, fiquei surpreendida porque não sabia que o Gary Oldman e o (nosso) Joaquim de Almeida participam no filme – duas agradáveis surpresas. No entanto, não sei se foi por ter as expectativas em altas, mas não gostei assim muito. Não sei, acho que estava à espera de mais.


22 Jump Street: "Após conseguirem terminar a escola secundária (por duas vezes...), grandes mudanças estão a caminho nas vidas dos policias Schmidt e Jenko, quando estes iniciam uma missão - altamente à paisana! - numa Universidade local. Mas quando Jenko conhece a alma gémea na equipa de futebol, e Schmidt se infiltra no grupo de arte boémia, esta parceria parece estar em risco… Agora já não é apenas uma questão de desvendar o caso – eles terão igualmente de descobrir se conseguem ter uma relação como dois adultos.  E caso estes dois adolescentes excessivamente grandes se consigam transformar de caloiros em homens a Universidade pode mesmo ser a melhor coisa que já lhes aconteceu!"
Eu gostei bastante do primeiro filme, por isso, estava bastante curiosa para ver o segundo. Não desiludiu, também não é dos melhores filmes de comédia, mas vê-se bem.


Me and Earl and the Dying Girl: "A história engraçada e comovente de Greg, um finalista do secundário que está a tentar misturar-se anonimamente, evitando relações mais profundas como uma estratégia de sobrevivência num campo de minas social – a vida de um adolescente. Ele mesmo descreve o seu leal companheiro Earl, com quem faz as curtas-metragens com paródias a filmes clássicos, como mais um "colega de trabalho" do que um melhor amigo. Mas quando a mãe de Greg insiste com ele para passar algum tempo com Rachel – uma miúda da sua turma que acaba de ser diagnosticada com cancro – ele lentamente descobre como os verdadeiros laços de amizade podem ser gratificantes."
Adormeci na primeira vez que vi o filme, na segunda consegui ver até ao fim, mas nada entusiasmada. Quando o filme estreou, ouvi muito burburinho à volta dele, que era muito bom, mas, sinceramente, não me disse grande coisa. Era outro que, se calhar, eu estava à espera de mais.



The Help: "Três mulheres extraordinárias e muito diferentes no Mississippi, durante os anos 60, construíram uma improvável amizade em torno de um projecto secreto que quebra todas as regras sociais e as coloca a todas em risco. Desta inesperada aliança, emerge uma admirável irmandade, incutindo-lhes uma coragem para transcenderem os próprios limites, e a consciencialização de que às vezes esses limites existem para serem ultrapassados – mesmo que isso signifique que todos na cidade tenham de confrontar-se com os tempos de mudança."
Vi este filme agora no final do mês, numa pausa entre frequências, e um filme que tenha a Viola Davis (mulher extraordinária, se não acreditam em mim, vejam How To Get Away With Murder) vale sempre a pena. Numa altura em que toda a gente se irrita por tudo e por nada, por coisas mínimas, convém relembrar que há pessoas, sim, que passaram por privações que nós, no nosso sofá em 2018, nem podemos imaginar. Infelizmente, essas privações ainda não estão erradicadas da sociedade, ainda há mulheres, negros, mulheres negras a sofrer de racismo, xenofobia e todo o tipo de preconceito, por isso, acho importante relembrarmos o testemunho de pessoas que conseguiram lutar por mudar a ordem estabelecida. Sem dúvida que recomendo muito! 


Para além disso, revi o Iron Man 1 (para aí pela quinquagésima vez) e o Deadpool - que eu adoooooro!

*Post inserido no projecto Movie36*
A criadora do projecto é a Carolayne "Lyne" Ramos, do blogue "Imperium"
A parceira oficial é a Sofia Costa Lima, do blogue "A Sofia World"
Os restantes participantes:
Inês Vivas, "VIVUS"
Vanessa Moreira, "Make it Flower"
Joana Almeida, "Twice Joaninha"
Joana Sousa, "Jiji"
Alice Ramires, "Senta-te e Respira"
Cherry, "Life of Cherry"
Sónia Pinto, "By the Library"
Francisca Gonçalves, "Apenas Francisca"
Carina Tomaz, "Discolored Winter"
Sofia Ferreira, "Por onde anda a Sofia"
Rosana Vieira, "Automatic Destiny"
Inês Pinto, "Wallflower"
Abby, "Simplicity"

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Black Mirror e The Handmaid's Tale

Se bem se lembram, quando escrevi sobre que séries quero ver este ano, Black Mirror e The Handmaid’s Tale faziam parte dessa lista. Já as acabei de ver há algum tempo, mas só agora tive tempo para escrever "como deve ser" sobre estas duas séries.

Black Mirror conta já com quatro temporadas e cada episódio é independente, ou seja, os episódios não têm ligação entre si. Toda a gente já ouviu falar desta série, mas, para os que não sabem, a série retrata a relação que o ser humano tem com a tecnologia, mostrando no que a humanidade se poderá tornar se continuarmos neste rumo de obsessão e dependência das tecnologias. Ou seja, um futuro distópico em que as máquinas assumem o controlo, mesmo sem darmos por isso.

Cada episódio tem uma argumentação excelente, sempre com reviravoltas inesperadas e todos, mas mesmo todos têm uma mensagem que faz pensar. A acção passa-se num futuro próximo e que parece perigosamente possível. Os episódios são muito pesados emocionalmente, de tal forma que eu não consegui ver tudo seguido (como faço com outras séries), e mesmo depois de já ter acabado um episódio, ficava a pensar nele durante horas, senão dias.

Apesar de retratar a relação do ser humano com a tecnologia, Black Mirror não a diaboliza, não a retrata como a pior coisa que já aconteceu. Em cada episódio, vemos que a tecnologia é um instrumento que pode ser usado tanto para o bem como para o mal. Para além de abordar o tema da tecnologia, também mostra de forma magistral o ser humano e todas as suas complexidades. Acima de tudo, é uma série de reflexão sobre os efeitos da tecnologia nas relações humanas.

Black Mirror é, sem dúvida, das melhores séries que já vi e, como é óbvio, claro que a inclui na minha lista das 5 melhores séries originais da Netflix. É um murro no estômago, é, mas recomendo vivamente!  



The Handmaid’s Tale está actualmente na segunda temporada e comecei a ver a série depois de ter lido o livro (que é maravilhoso). Assim como o livro, a série conta a história de Offred, que vive nos EUA, agora chamado de Gilead e controlado por extremistas cristãos. As mulheres não têm direitos, são "úteros ambulantes" que servem apenas para ter filhos. Assim como Black Mirror, esta também é uma série que nos faz pensar, que pode perfeitamente acontecer num futuro próximo e pesada emocionalmente.  

Para já, dizer que foi um choque revelarem o nome real de Offred logo no primeiro episódio, quando no livro nunca foi mencionado. A série segue fielmente o livro, mas acrescenta outros pormenores que no livro não havia tempo para desenvolver. Isto foi algo que eu gostei bastante, já que desenvolveram as histórias de outras personagens, especialmente de outras mulheres que se tornaram "servas". Para além disso, o ritmo é excelente, tem uma fotografia absolutamente incrível e as interpretações são fabulosas.

A primeira temporada acaba exactamente como acaba o livro, por isso, agora estou completamente às cegas quanto ao que vai acontecer. Assim como o livro, é uma série provocante, que toda a gente devia ver (mas leiam o livro primeiro!!). Sem dúvida, das melhores séries de 2017 e que, pelos episódios da segunda temporada, será, também, das melhores de 2018. 


terça-feira, 22 de maio de 2018

Nunca apresentei um namorado à minha família

"Então e os namorados?" Ahhh, aquela pergunta típica dos tios que só vemos umas duas vezes no ano (normalmente, no Natal e na Páscoa) e que têm ZERO interesse na nossa vida. Só são curiosos. Cuscos, vá. 20 anos e nunca apresentaste namorado à família? Ai filha, deves ter qualquer coisa de errado…

Tenho 20 anos e nunca apresentei um namorado à minha família. Tanto eu como o meu irmão sempre dissemos que nunca iríamos casar, pelos mais variados motivos. Ele não cumpriu a sua palavra (o traidor), eu tenciono cumprir. Acho que os meus pais já perderam a esperança em vir a conhecer um namorado meu e, coitados, não os posso culpar. A minha mãe já sabe que, daqui, é muito difícil ter netos. A pressão está toda do lado do meu irmão.

Sei que sou diferente. O meu sonho nunca foi casar ou ter filhos. Nem sequer quero isso para a minha vida. No entanto, em 2018, isto ainda não é aceitável. Quando digo a alguém que não quero ter filhos nem tenho interesse algum em casar vejo sempre o olhar reprovador da pessoa. Se eu me importo com isso? Claro que não. Mas questiono-me se, no século XXI, isto já não deveria ter deixado de ser um problema. Ninguém tem nada a ver com as nossas escolhas de vida.

Desde pequenas que a sociedade traça um plano para as nossas vidas, muito graças aos filmes da Disney. Devemos comportar-nos como umas princesas, sempre muito graciosas e serenas, e esperar por um lindo príncipe encantado que irá chegar no seu cavalo branco. E depois ter filhos e "viver felizes para sempre". Claro que eu, em pequena, gostava (adorava) os filmes da Disney e ainda gosto. Mas há muito, muito tempo que não acredito em príncipes encantados ou no felizes para sempre.

Às vezes pergunto-me se a Disney e os filmes românticos não criam demasiadas expectativas na vida. Aquilo não é nada assim, mas nós só percebemos isso quando somos mais "crescidas". Amor à primeira vista? Relações sem problemas? Pessoas perfeitas? Nada disto existe. E acho que nós, raparigas, é que sofremos mais com isso. Criamos demasiado expectativas em nós, nos rapazes, no nosso futuro. Casar com um vestido branco gigante em que a noiva mal se consegue mexer? Não, obrigada. Não há nada errado em ser solteira, em não querer constituir família, em não querer ter uma casa. O meu sonho é viajar pelo mundo. Algum dia poderia conciliar isso com uma família? Não. É suposto deixar o meu sonho só porque a sociedade acha que eu devo ser mãe e ter uma família e uma casa aparentemente perfeitas? Também não.

Se a minha opinião vai ser diferente quando tiver 30 anos? Pode ser… mas a minha vidinha teria que dar muitas voltas.

Como é óbvio, não tenho nada contra com as pessoas que dizem que o seu sonho é casar ou ser mãe. Simplesmente isso não é para mim. Mas, também, verdade seja dita, quem é que não queria um Troy Bolton na sua vida? (Sim, a minha crush de adolescência foi o Zac Efron. E se calhar ainda é, apesar de eu já não ser adolescente. Se calhar.)

Leituras Desassossegadas #16

A Cidade e as Serras, Eça de Queirós « A Cidade as Serras , romance publicado um ano após a morte do autor, teve como ponto de partida o...