quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Pensamentos Aleatórios #10

A urgência de "ser"

Não sei se é das redes sociais, de estarmos sempre a ser "vistos", dos likes e dos influencers que mostram uma vida perfeita, mas acho que a nossa geração tem urgência em "ser". Queremos o futuro já. Não sabemos esperar, não gostamos de esperar, nem sequer queremos esperar.

Queremos tudo para ontem. Tenho 21 anos e não faço ideia de como vai ser o meu futuro. E estou completamente bem com isso. No entanto, sei que sou a excepção. A grande maioria das pessoas da minha idade já tem o seu futuro definido desde muito novos. Queremos ser bonitos, jovens, ter uma relação, ter uma casa, ter um futuro estável. E tudo isto porque queremos ser aceites pela sociedade. 

sábado, 12 de janeiro de 2019

5 séries que nos deixam maravilhosamente confusos

O que raio é uma série que nos deixa maravilhosamente confusos, perguntam vocês. E eu explico, que estou aqui para isso. Séries em que não percebemos nada na maior parte dos episódios, ou mesmo em todos, e mesmo assim adoramos. Começamos a ver a série, não percebemos patavina e ainda assim queremos continuar a ver. Não sei bem que nome dar a esta categoria, mas séries-que-não-percebemos-nada-mas-adoramos, séries-mais-alucinadas-que-vejo, séries-que-nos-deixam-maravilhosamente-confusos, ou séries-mind-blown, se houvesse uma tradução decente para português desta expressão. Mas, bom, vocês percebem a ideia. Passemos então às escolhidas:

Westworld "é um parque temático futurístico para adultos, dedicado à diversão dos ricos. Um espaço que reproduz o Velho Oeste, povoado por androides – os anfitriões –, programados pelo diretor executivo do parque, o Dr. Robert Ford, para acreditarem que são humanos e vivem no mundo real. Lá, os clientes – ou novatos – podem fazer o que quiserem, sem obedecer a regras ou leis. No entanto, quando uma atualização no sistema das máquinas dá erro, os seus comportamentos começam a sugerir uma nova ameaça, à medida que a consciência artificial dá origem à "evolução do pecado". Entre os residentes do parque, está Dolores Abernathy, programada para ser a típica menina da fazenda, que está prestes a descobrir toda a sua existência não passa de uma bem arquitectada mentira."
Se há série em que não se percebe absolutamente nada do que se está a passar, Westworld é essa série. A série é como um puzzle, temos de analisar tudo e pensar imenso sobre cada segundo de cada episódio para termos sequer um vislumbre do que está a acontecer. Somos constantemente enganados, manipulados e começamos a duvidar se vivemos, de facto, ou se somos os robôs de alguém (sim, eu pensei nisso – há alguém que está a comandar as minhas acções?). Das séries mais inteligentes e das melhores que já vi.


Mr. Robot – "Elliot é um jovem programador que trabalha como engenheiro de segurança virtual durante o dia e como hacker vigilante durante a noite. Elliot vê-se numa encruzilhada quando o líder de um misterioso grupo de hacker o recruta para destruir a firma que ele é pago para proteger. Motivado pelas suas crenças pessoais, ele luta para resistir à oportunidade de destruir os CEOs da multinacional que ele acredita estarem a controlar – e a destruir - o mundo."
A série em que, assim como o protagonista, não sabemos o que é real ou o que apenas se passa na imaginação de Elliot. Há um episódio em que ele afirma "I don’t even know what’s real any more" e esta é a frase que define Mr. Robot. É uma série genial e das minhas favoritas.



American Gods – "Inspirada na obra com o mesmo nome de Neil Gaiman, esta série é centrada numa guerra entre os velhos e os novos deuses. Os seres bíblicos e mitológicos estão a perder cada vez mais fiéis para os novos deuses, que reflectem o amor da sociedade por dinheiro, tecnologia, celebridades e drogas. Na série, seguimos a viagem de Mr. Wednesday, um dos velhos deuses, que está na Terra numa missão: reunir forças para lutar contra os novos deuses."
Ia começar a escrever que esta é, sem dúvida, a série mais alucinante que já vi na vida, mas depois olhei bem para as restantes séries desta publicação e fiquei com dúvidas (especialmente, com as duas seguintes). É difícil explicar American Gods, mas, basicamente, é daquelas que passa dias e dias na nossa cabeça depois de a vermos. Apesar de ser uma série bastante diferente daquelas a que estamos habituados, vale muito a pena.  



Legion – "David Haller é um rapaz diagnosticado com esquizofrenia que passou os últimos cinco anos da sua vida num hospital. Institucionalizado mais uma vez, David perde-se na rotina estruturada da vida no hospital, e passa todo o seu tempo em silêncio junto à amiga Lenny, uma paciente cujo vício em drogas e álcool não diminuiu em nada seu otimismo. Mas a vida de David muda com a chegada de uma nova paciente: Syd Barrett"
Senhores, o que é esta série? Tenho a teoria que os guionistas estão em ácidos enquanto escrevem os episódios. A série é tão irreal, se tivesse de dar uma definição da expressão mind-blown diria, definitivamente, "Legion". Confusa, mas sensacional.
Esta capa já diz tudo, não diz?
Preacher – "Jesse Custer é um ex-pastor que foi possuído por uma entidade chamada Génesis, que fugiu do Paraíso e está a ser procurada pelos anjos. Quando Jesse e Génesis se tornam um só, os anjos enviam o Saint of Killers, um matador do Século XIX, para persegui-lo."
Deve ser a série menos conhecida desta lista, mas, se ainda não viram, não sabem o que estão a perder. Mais numa onda de humor negro subtil, Preacher não é recomendável a pessoas mais sensíveis, pelas suas imagens bastante chocantes. Para quem tiver estômago forte, recomendo.


terça-feira, 8 de janeiro de 2019

A primeira vez que... #3

A primeira vez que... saí de Portugal. Só muito recentemente é que comecei a viajar, talvez há uns dois anos. Os meus pais não são propriamente pessoas de muitas viagens, exceptuando aquelas que são feitas de carro dentro do nosso próprio país. Mas bem, a primeira vez que saí de Portugal foi quando fui a Paris. Ah, aquela ânsia e vontade de conhecer um novo país, ainda por cima, uma das capitais mais movimentadas não só da Europa, como do Mundo inteiro. Se já são leitores antigos, sabem que não partilho com o resto do mundo o fascínio pela capital francesa. No entanto, é com um certo carinho que recordo todo o ambiente parisiense e a inocência que eu ainda tinha em relação às viagens naquela altura. Paris foi a minha primeira viagem para fora do país. E foi especial, precisamente porque foi a primeira. 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Como viajar com pouco dinheiro

Agora que um novo ano começou, a nossa lista de lugares que queremos visitar também se renovou. É nesta altura que começamos a pensar a que sítios queremos ir durante o ano, onde vamos passar as férias de verão, se vamos aproveitar algum fim-de-semana prolongado, onde vamos passar o nosso aniversário, entre outros. Como o dinheiro não me cai do céu, é também nesta altura que começo a fazer o meu "porquinho" para, depois, poder viajar durante o resto do ano. Ah, viagens, um tema que dá pano para magas.

Sempre que alguém vê outra pessoa a viajar, o comentário típico é "quem me dera também andar a viajar, mas não sou rica/não tenho dinheiro!". Bem, para já, vamos desmitificar aqui uma coisa: viajar não é caro nem custa os olhos da cara. Têm é de saber poupar e saber aproveitar bem os transportes públicos e os descontos de cada cidade. Por isso, hoje trago-vos dicas de como viajar com low budget – ou, em bom português, como viajar sendo forreta.

Tendo feito Erasmus na Holanda (podem ver o meu relato da experiência aqui), um país que fica no centro da Europa e conforme afirmei, a minha ideia era aproveitar o mais que conseguisse para viajar. Acho que consegui aproveitar o máximo possível com o dinheiro que tinha. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, viajar não é tão caro quanto parece, sobretudo, se se souberem regrar e planear as coisas.

A minha primeira dica é um site: goeuro.com. Adicionem este site aos vossos favoritos e guardem-no com a vossa vidinha porque dá imenso jeito. Este site compara os preços e o tempo de viagem em 3 meios de transporte: avião, comboio e autocarro – o que nos facilita a vida e não temos de ter mil sites abertos ao mesmo tempo. Acho que usei este site para praticamente todas as viagens que fiz e acho que consegui poupar uns bons euros. 



Depois, aproveitem as viagens de autocarro – são muitas vezes muito mais baratas apesar de, claro, demorarem mais tempo. Para vos dar um exemplo, fui e voltei de Paris de autocarro por menos de 40€. Claro que a viagem demorou 7 horas, mas de comboio ou avião não ficaria por menos de uma pequena fortuna. Aconselho-vos a viajarem, de preferência, de autocarro no final do dia ou à noite, assim conseguem dormir durante a viagem e não ficam horas a olhar para o dia de ontem. Claro que também podem levar séries ou filmes no tablet ou no telemóvel para o tempo passar mais rápido, mas se forem como eu, que enjoo com tudo, o melhor é mesmo aproveitar para dormir.

Para além de ter feito viagens enormescas de autocarro, também andei muito de comboio e já deu para ver as diferenças entre alguns países. Por exemplo, os comboios holandeses funcionam muito bem, tem wifi o que fica sempre bem nos dias de hoje, já os belgas não têm wifi e estão quase sempre cheios. Uma dica que vos deixo é que tentem sempre ir para a primeira ou segunda carruagem, pois as pessoas tendem a concentrar-se nas carruagens do meio ou nas últimas, deixando as primeiras vazias.

Para além disso, em vez de ficarem em hotéis (que todos sabemos que são uma fortuna), porque não aproveitar os hostels (hostels? Hosteis?) da cidade que vão visitar? Ainda há (algum) preconceito em relação aos hostels, mas posso-vos dizer que passei por alguns e não tive problemas nenhuns. Se nunca experimentaram, vão à descoberta, procurem e vejam reviews em sites como o tripadvisor ou momondo. Ficar num hostel pode ser uma oportunidade para novas experiências e para conhecer pessoas de todos os cantos do mundo (visto que, normalmente, as pessoas nunca ficam mais de uma ou duas noites). No geral, os hostels tem quartos de 2 a 10/12 camas – eu preferia sempre ficar nos de 4 ou 5 (é menos confusão). Dois sites: hostelworld e hostelbookers, por exemplo.



Outra dica: se fizerem viagens só de 1 dia levem almoço de casa! Fiz muitas viagens de um dia e a única coisa em que gastei dinheiro foi no transporte. Normalmente, apanhávamos o comboio das 9h e levávamos sempre almoço de casa – eu, preguiçosa me confesso, normalmente almoçava sempre uma baguete. Voltávamos para casa antes da hora de jantar e, dependendo dos dias e das horas a que chegássemos, ou jantávamos em casa (a regra) ou íamos jantar fora se chegássemos mais tarde (aconteceu 1 ou 2 vezes).
Como vêem, nas viagens de um dia só gastávamos dinheiro no transporte, nos souvenirs ou, às vezes, num gelado ou waffles. Pode parecer que não, mas já é imenso dinheiro que se poupa que pode ser utilizado noutra viagem. Outra vantagem de levar almoço de casa é que sobra mais tempo para visitar a cidade, já que não "perdemos tempo" no restaurante. Fica a dica!

Por último, se querem viajar, têm de saber dar prioridade a umas coisas e deixar outras de lado. Enquanto estive a estudar fora, não comprei nem uma peça de roupa ou calçado, fui jantar fora poucas vezes, quando saía à noite não gastava dinheiro absolutamente nenhum. Sempre fui muito poupada e, para mim, fazia (e faz) muito mais sentido não gastar em coisas que não considero tão urgentes, e ir juntando dinheiro para poder viajar.

Espero que vos tenha ajudado com estas dicas e, se souberem de mais dicas deste género, estejam à vontade para partilhar!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Movie36 - Dezembro

City of Joy - "As mulheres que foram sexualmente brutalizadas no Congo devastado pela guerra encontram a cura na Cidade da Alegria, um centro que as ajuda a recuperar um senso de autonomia e poder."
Na publicação de apresentação do Movie36, afirmei que ia aproveitar este projecto para ver filmes que já estavam na minha to-watch list há demasiado tempo, mas também o ia aproveitar para ver documentários. Gosto muito de ver documentários, mas quando  não me decido a ver uma série, são os filmes que ganham sempre. Nunca os documentários. Por isso, como boa pessoa "à última da hora" que sou, o ano passou, e eu devo ter visto 1 (?) documentário. Uma vergonha, eu sei. Felizmente, existe Dezembro e aproveitei o último mês do ano para ver alguns  (alguns... 2) documentários.
Feita a introdução, deixem-me falar-vos deste documentário da Netflix: é poderoso. É revoltante. É triste. E é poderoso. A violência de género é algo que está bastante presente em todo o mundo, já o sabemos, mas nos países africanos e, sobretudo, nos países que estão em guerra, a violência de género ganha contornos monstruosos.  Este documentário serve para nos relembrar e alertar que ainda há milhares de mulheres a sofrer não só com a desigualdade entre géneros, mas com a violência. O trabalho ainda nem está feito pela metade. Dos melhores documentários que já vi.


The American Meme - "Seguindo os passos da socialite Paris Hilton, uma geração de estrelas da mídia surgiu e se esforça para criar impérios além do mundo virtual. Josh Ostrovsky, Brittany Furlan, Kirill Bichutsky, a própria Paris e outros influenciadores mostram suas vidas por trás das câmeras e de seus milhões de seguidores."
Mais um documentário imperdível da Netflix. Extremamente actual, mostra como é o mundo baseado em likes, em publicações patrocinadas, em publicidades que custam milhões. Aconselho.


Julie & Julia - "Frustrada com o trabalho, a nova iorquina Julie Powell embarca em um dedicado e desafiador projeto: preparar as 524 receitas do livro de culinária de Julia Child. O filme mostra além da história de Julie, a de Julia Child e sua paixão pela culinária francesa."
Ai senhores, eu sei que este filme não é só sobre comida, mas deu-me tanta fome e tanta vontade de me tornar uma cozinheira exímia!! Eu só cozinho o básico dos básicos, para sobreviver, e odeio o pouco que cozinho, não tenho jeitinho nenhum. Mas, ao ver este filme, deu-me uma vontade imensa de provar todos os pratos do mundo, de ser chique a comer queijo e a beber vinho e, basicamente, de comer, comer, comer.
Sim, o filme também fala sobre blogues e todos os dramas associados - será que alguém me está a ler? Será que alguém se importa com o que eu escrevo? -, mas, para mim, este é um filme sobre comida. E que fome que me deu!
O filme não é propriamente uma obra-prima, mas dá para entreter e para nos dar mais vontade de cozinhar. É um bom filme de domingo.


Love Actually - "Nove histórias que se entrelaçam mostrando as complexidades da emoção que nos conecta a todos: o amor. Entre os personagens, o belo recém-eleito primeiro-ministro britânico, David, que se apaixona por uma jovem funcionária. Uma desenhista gráfica, Sarah, cuja devoção ao seu irmão, doente mental, complica a sua vida amorosa. Harry, um homem casado tentado pela sua atraente nova secretária. São vidas e amores que se misturam na romântica Londres, e atingem o seu clímax na noite de Natal."
Optei por não colocar nesta lista todos os filmes de Natal que vi - sim, Sozinho em Casa, Harry Potter ou outros que tais -, mas este ano foi a primeira vez que vi o Love Actually, por isso, temos aqui o único filme de Natal no Movie36 de Dezembro.
É um filme cheio de clichés, mas, vá, é Natal e uma pessoa perdoa. Talvez em qualquer outra altura do ano, teria desprezado completamente o filme, mas, nesta altura, soube-me bem vê-lo.




Agora, fazendo um balanço, eu adorei ter participado neste projecto, e adorei ainda mais ter conseguido ver 44 filmes/documentários. Yeaah!! Palminhas para mim! 
Sendo uma pessoa muito mais de séries do que filmes, 44 é um grande número. Estou muito contente com este número e, só vos digo, podem ficar atentos, porque vamos ter novidades em breve em relação ao Movie36.
Bom Ano, malta!

*Publicação inserida no projecto Movie36*
A criadora do projecto é a Carolayne "Lyne" Ramos, do blogue "Imperium"
A parceira oficial é a Sofia Costa Lima, do blogue "A Sofia World"
Os restantes participantes:
Joana Sousa, "Jiji"
Cherry, "Life of Cherry"
Sónia Pinto, "By the Library"
Joana Almeida, "Twice Joaninha"
Sofia Ferreira, "Por onde anda a Sofia"
Inês Pinto, "Wallflower"
Abby, "Simplicity"

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

As melhores leituras de 2018

A uns dias de entrarmos num novo ano, chegou a altura de fazer balanços sobre este que passou. Conforme afirmei aqui, no ano passado, não sou uma pessoa de fazer objectivos e traçar metas: há algumas coisas que quero concretizar, mas não são propriamente urgentes. Vai-se indo, vai-se vendo. Para mim, funciona melhor assim do que fazer uma lista de tudo o que quero fazer, e que sei que, em Fevereiro, já não vou ter o mesmo entusiasmo ou já não me vou lembrar de metade do que "prometi". Por isso mesmo, sou muito mais uma pessoa de balanços. Mas, como também não gosto de exagerar, em cada ano, faço um balanço de cada coisa: em 2017, fiz uma publicação das melhores séries que tinha visto esse ano; em 2018, escrevo sobre os melhores livros que li.

Segundo o Goodreads, eu portei-me bastante bem este ano. No início de 2018, defini como meta a leitura de 20 livros e, chego ao fim, com 37 livros lidos!! Yeaah! Palminhas para mim! Este deve ter sido o ano em que li mais, e em que a minha carteira também mais se queixou. Enfim, não se pode ter tudo, não é?

Então, começamos por um grande clássico: Os Irmãos Karamazov. 2018 foi o ano em que me estreei em Dostoievski e penso que não poderia ter começado com melhor livro. Este é, talvez, o melhor livro que li este ano, e, sem dúvida, dos melhores que já li em toda a minha (curta) vida. Tem uma história tão forte, está tão bem escrito e é tão bonito e triste. Para além disso, Freud considerava "o mais extraordinário romance alguma vez escrito". Acho que não preciso de dizer mais nada.


Em termos de não-ficção - um género que gosto muito, e que estou a tentar ler cada vez mais (10 em 37… não está mau) -, escolhi dois livros: Prisioneiros da Geografia e O Voluntário de Auschwitz. O primeiro é um livro sobre política (ou geopolítica) e que nos dá a conhecer algumas razões para a geografia ser tão importante na vida de um país e para a história do mundo. Aconselho para quem estiver interessado ou quiser saber mais sobre política internacional.
Por falar em política, deixo aqui uma referência a um livro que se enquadra na sátira política, A Quinta dos Animais, muito bom para quem quiser entrar no mundo Orwelliano.

O Voluntário de Auschwitz foi o livro mais duro e brutal que li este ano. O Capitão Pilecki ainda é um desconhecido para muitos e, segundo se sabe, ele foi a única pessoa que foi para o campo de concentração de livre vontade. Este livro é um relato na primeira pessoa, escrito na forma de relatórios militares (para avisar ao mundo o que realmente se passava em Auschwitz), onde é descrita toda a fome, tortura, morte vividas. Existem mil e um livros sobre Auschwitz e o Holocausto, mas recomendo este. Pela dureza, pela coragem, pela realidade.


Por fim, 5 romances que adorei ter lido este ano. A História de uma Serva, livro que ganhou notoriedade depois de a Netflix ter estreado a série com o mesmo nome (que está incrível, vejam!!) e que retrata um cenário, infelizmente, cada vez mais passível de acontecer. É um bom livro para fazer acordar e para nos relembrar um passado que já existiu e que não queremos que volte nunca mais. É daqueles livros que nos fica na mente vários dias depois de o termos acabado.

E Agora, Zé-Ninguém?, de Hans Fallada, deve ser o livro menos conhecido desta lista, mas tem uma história bastante comum: a vida de um desempregado, em Berlim, no período entre guerras. No lado oposto, Call Me By Your Name é bem capaz de ganhar o prémio de livro mais falado e comentado, tudo graças ao filme. Ai senhores, o que eu adorei este livro (e o filme)! É uma pancada emocional, mas também é dos livros mais bonitos que já li. E não é só porque a acção decorre em Itália.

Por último, dois autores de língua portuguesa: Saramago (claro) e Pepetela. O Ano da Morte de Ricardo Reis era O livro que eu mais queria ler e Saramago não me defraudou em nada. O livro não conta só a história de Ricardo Reis, mostra, também, de uma forma exímia o ano de 1936 em Portugal, na Europa e no Mundo. Saramago nunca desilude, e claro que o meu autor favorito tinha de estar nesta lista.
A Parábola do Cágado Velho tinha em si o peso de me iniciar com Pepetela, um autor que eu já queria ler há imenso tempo, e conta, de uma forma simples, mas magistral a forma como a guerra é vivida por quem não a quer nem a fez. Gostei muito deste livro.


sábado, 22 de dezembro de 2018

Livros que quero ler: clássicos

Li poucos livros considerados clássicos na minha vida. Não sei o que me assusta neles, talvez o peso histórico que carregam e o facto de terem sobrevivido ao longo do tempo. Um dos poucos clássicos que li foi o Cem Anos de Solidão, do Gabriel García Márquez, que é dos meus livros preferidos, que adoro e recomendo. Mas, bem, passemos aos clássicos que eu quero ler:

O Grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald – «Justamente considerada uma das mais importantes obras de ficção do século XX, O Grande Gatsby é um retrato notável da era dourada do jazz em toda a sua decadência e excessos. Pelos olhos do provinciano Nick Carraway, conhecemos a história do misterioso Jay Gatsby, um milionário que subiu na vida a pulso, movido pela paixão quixotesca que nutre pela jovem Daisy, uma rica herdeira bela e frívola. A sua obsessão por ela fá-lo reinventar-se para por fim poder reclamar a sua amada, numa autêntica encarnação do sonho americano. Porém, o reencontro de ambos acaba por desencadear uma série de acontecimentos trágicos, com Gatsby a ser vítima não apenas da sua ambição, mas da insensibilidade e falta de valores que imperam na sociedade americana da época.»
Um clássico da literatura americana do século XX, que tem como pano de fundo os Loucos Anos 20, e que figura em todas as listas de livros que todos deveriam ler. É considerado um dos melhores romances norte-americanos de sempre – o que eleva tremendamente a fasquia.


Orgulho e Preconceito, Jane Austen – «Orgulho e Preconceito é o romance mais conhecido de Jane Austen. Embora o universo que retrata seja circunscrito - a sociedade inglesa rural da época -, graças ao génio de Austen o seu apelo mantém-se intacto. É uma história de amor poderosa, entre Elizabeth Bennet, a filha de espírito vivo e independente de um pequeno proprietário rural, e Mr. Darcy, um aristocrata altivo da mais antiga linhagem. Mas é também uma deliciosa comédia social, à qual estão subjacentes temáticas mais profundas. A sua atmosfera é iluminada por uma jovialidade contagiante, por uma variedade de personagens e vozes que tornam o enredo vibrante e constantemente agitado pelo elemento surpresa, pela genialidade da inteligência e da ironia de Austen.»
Aqui vou ser eu que vou tentar não ser preconceituosa, já que histórias de amor fantasiosas e de contos de fadas não são bem o meu género. Mas um romance que conseguiu prevalecer ao longo do tempo merece a minha atenção.


Moby Dick, Herman Melville – «Moby Dick, obra prima de Melville, o mais experimental dos romances, é a história de um louco e da sua vingança. Depois de ter sido mutilado por uma baleia, o capitão Ahab procura vingar-se. A baleia é Moby Dick, um ser gigantesco, o terror dos baleeiros. Pequod é o navio, em que Ahab instala um poder tirânico com o único propósito de abater o monstro dos mares, objecto de toda a sua raiva. Melville leva-nos por uma viagem inolvidável, uma rota orientada pelo desespero, a loucura e a crueldade. Este livro é hubris pura: conflito, confronto, ressentimento e ódio. É a aventura e o romance convertidos em mito. Um dos livros mais importantes jamais escritos. Entre as tábuas do Pequod, concentra-se toda a humanidade. A beleza e a tragédia do ser humano, cercado por um impiedoso oceano e dominado pelo turbilhão de uma vingança sem sentido. A luta do homem contra o homem, a luta do homem contra a natureza. No fim, a inevitável derrota.»
A sinopse parece-me bastante interessante e promissora e este é daqueles clássicos que, quando o apanhar em promoção, não vou pensar duas vezes em trazê-lo comigo. Quero muito ler este livro.


Dom Quixote de la Mancha, Miguel de Cervantes – «A imortal história do Cavaleiro da Triste Figura, que acompanhado pelo seu fiel escudeiro, Sancho Pança, avança por montes e vales, lutando contra moinhos de vento e cavaleiros imaginários em nome da justiça. Retrato do anti-herói, Dom Quixote, o fidalgo enlouquecido, representa a capacidade de transformação do homem em busca dos seus ideais. Este grande livro é muito mais do que um romance de cavalaria. Pelo contrário, ao satirizar os romances de cavalaria em voga ao longo dos séculos XVI e XVII, o Dom Quixote afirma-se como o clássico fundador do romance moderno. O humor, as digressões e reflexões, a oralidade nas falas e a metalinguagem marcaram o fim da Idade Média na literatura. Repleto de aventuras e situações fantásticas, este tem sido considerado um livro inesquecível para sucessivas gerações de leitores.»
Este é o clássico dos clássicos, aquele que não podemos passar sem o ler. Não sei quando o vou ler, talvez aos 20 ainda não tenha maturidade ou capacidade suficiente para tal livro, mas sei que um dia vou pegar e mergulhar nas páginas de Dom Quixote de la Mancha.


A insustentável leveza do ser, Milan Kundera – «A Insustentável Leveza do Ser é seguramente um dos romances míticos do século xx, uma daquelas obras raras que alteram o modo como toda uma geração encara o mundo que a rodeia. Adaptado ao cinema por Philip Kaufmann, este é um livro onde se olha, com um olhar umas vezes melancólico e conformado, outras amargo e revoltado, para o destino de um país, para o destino de um continente, para o destino de uma civilização. E poucas vezes se terá tão magistralmente representado a ligação existente entre a aventura individual e a colectiva… Justapondo lugares distantes geograficamente, reflexões brilhantes e uma variedade de estilos, este magnífico romance representa o auge daquele que é, verdadeiramente, um dos maiores escritores de sempre.»
Este é daqueles livros que ouço falar desde que me lembro. E sempre maravilhas. Para já, adoro o título e acho a sinopse bastante promissora. Tenho ideia que é um livro filosófico e que aborda temas políticos e sociais (algo que me interessa muito). Penso que vou gostar muito.


E vocês, já leram algum destes livros? Recomendam algum? 

Pensamentos Aleatórios #10

A urgência de "ser" Não sei se é das redes sociais, de estarmos sempre a ser "vistos", dos likes e dos influencers ...