terça-feira, 8 de agosto de 2017

The Circle

Vi hoje o filme The Circle, filme com Emma Watson e Tom Hanks e, apesar de o filme não ser lá muito bom, acho que passa uma mensagem bastante importante, ou melhor, faz-nos pensar sobre a mensagem que tenta passar. É sobre isso que quero falar hoje. 

The Circle é a maior e mais poderosa empresa de tecnologia e redes sociais do mundo, ou seja, uma espécie de mistura entre Facebook e Google, e tem como objectivo, digamos, aproximar as pessoas umas das outras e do mundo que as rodeia. O problema é que leva isto ao extremo.

No início do filme, é-nos apresentada uma imagem do The Circle onde todos os funcionários são felizes, têm actividades extra-curriculares, adoram trabalhar na empresa... tudo é perfeito. No entanto, ao acompanharmos a personagem Annie vemos que a realidade é um pouco diferente. No início de filme, Annie conta entusiasmada que vai a diferentes cidades num pouco espaço de tempo e que adora isso. No entanto, lá para o meio vemos uma Annie quase moribunda, com um aspecto terrível, que trabalha de dia e de noite e nem tem tempo para si própria, quanto mais para os amigos ou família. Infelizmente, a realidade de muita gente no século XXI.

Este filme deixou-me assustada. Assustada só de pensar que isto já não é só imaginação, um género de Back to the Future, mas sim a realidade. Vai ser a realidade daqui a uns anos. Vai deixar de existir privacidade, as pessoas vão partilhar tudo e mais alguma coisa nas redes sociais (muitas já o fazem sem darem conta) e vamos passar a ver a nossa vida exposta online, mesmo que não concordemos com isso. Sim, claro que em alguns países, a privacidade já é quase inexistente, em que os governos gostam de usar a desculpa que "é para nossa protecção" ou para "evitar ataques terroristas". Mas ninguém nos pergunta se concordamos com isto, se aceitamos que violem a nossa privacidade, que vejam as nossas mensagens, que controlem as nossas chamadas, os nossos e-mails, o nosso histórico... 

Todas estas novas tecnologias apresentam no seu início um propósito nobre: ou é aproximar pessoas que vivem em sítios diferentes, ou para haver mais segurança... uma infinidade de coisas. No entanto, ao longo do tempo, vamos vendo que o verdadeiro propósito é instalar câmaras em tudo o quanto é sítio e vigiar as pessoas. Já nem são os governos a fazer isso (que ainda o fazem), mas, neste momento, estão a ser ultrapassados pelas empresas, pelas multinacionais. 

A verdade é que aquilo que foi imaginado por certos autores como George Orwell em 1984 já não é uma coisa impensável, que nunca haveria de acontecer. Está mais perto daquilo que nós pensamos e, sem nos darmos conta, vai começar a implementar-se na nossa vida. Big Brother is really watching you (and all of us).


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